O uso do crédito para a sustentação do consumo das famílias em Belo Horizonte registrou um novo avanço em junho. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), o percentual de moradores da capital mineira que declararam possuir algum tipo de dívida alcançou 88,7%. O índice representa uma ligeira alta em comparação ao mês anterior, quando a dependência de crédito atingia 88,6% das famílias.
A análise, divulgada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG com dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), revela que o endividamento vem acompanhado do crescimento de contas em atraso e da falta de perspectiva para a quitação desses débitos. Além do contingente de endividados, o volume de famílias que enfrentam contas atrasadas subiu para 65,6%. O dado representa uma alta de 0,4 ponto percentual em relação ao último levantamento.
O aspecto que mais preocupa os especialistas é o avanço no total de pessoas que admitem não ter qualquer condição de quitar as dívidas em aberto. Esse índice atingiu 29,5%, consolidando-se como o maior patamar de inadimplência extrema registrado em Belo Horizonte desde julho de 2024.
Impacto é maior entre famílias de menor renda em Belo Horizonte
A pesquisa aponta que as famílias que recebem até dez salários mínimos são as mais afetadas:
- Taxa de endividamento: Alcança 89,8% no grupo de menor renda, contra 81,8% na faixa que recebe acima desse limite.
- Contas em atraso: O índice é de 67,5% no grupo que ganha até dez salários mínimos, enquanto fica em 54,4% entre as famílias de maior rendimento.
De acordo com o estudo, famílias de baixa renda têm orçamentos muito pressionados por despesas essenciais, restando pouca margem financeira para absorver imprevistos ou flutuações econômicas diárias.
Cartão de crédito é o principal vilão do orçamento doméstico
O cartão de crédito segue isolado como a principal ferramenta causadora de endividamento em Belo Horizonte, sendo citado em 97,3% das dívidas em aberto. O ranking de fontes de despesas inclui ainda:
- Carnês de lojas: 31,8%
- Crédito pessoal: 8,9%
- Financiamento de veículos: 5,1%
Dívidas comprometem renda por longos períodos
O cenário de inadimplência na capital mineira costuma se estender no tempo. Quase metade dos consumidores com contas atrasadas (48,9%) convive com o atraso há mais de 90 dias. Em média, o tempo de atraso de pagamento de uma conta é de 65,1 dias.
As famílias de Belo Horizonte ficam com a renda comprometida com dívidas por um tempo médio de oito meses. Além disso, em 80,5% dos lares belo-horizontinos, as parcelas mensais cobram mais de 10% de todo o rendimento da casa — sendo que em 32,5% das residências o comprometimento das finanças supera a metade de todo o orçamento doméstico.




