Quase 90% das famílias de BH estão endividadas, aponta pesquisa da Fecomércio MG

Cartão de crédito lidera as contas em atraso na capital; inadimplência prolongada acende alerta para o planejamento financeiro doméstico.

Por , Belo Horizonte | Atualizado em:
Notas de 50 reais, moedas, e um teclado na imagem
Endividamento atinge 88,7% das famílias de Belo Horizonte / Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O uso do crédito para a sustentação do consumo das famílias em Belo Horizonte registrou um novo avanço em junho. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), o percentual de moradores da capital mineira que declararam possuir algum tipo de dívida alcançou 88,7%. O índice representa uma ligeira alta em comparação ao mês anterior, quando a dependência de crédito atingia 88,6% das famílias.

A análise, divulgada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG com dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), revela que o endividamento vem acompanhado do crescimento de contas em atraso e da falta de perspectiva para a quitação desses débitos. Além do contingente de endividados, o volume de famílias que enfrentam contas atrasadas subiu para 65,6%. O dado representa uma alta de 0,4 ponto percentual em relação ao último levantamento.

O aspecto que mais preocupa os especialistas é o avanço no total de pessoas que admitem não ter qualquer condição de quitar as dívidas em aberto. Esse índice atingiu 29,5%, consolidando-se como o maior patamar de inadimplência extrema registrado em Belo Horizonte desde julho de 2024.

Impacto é maior entre famílias de menor renda em Belo Horizonte

A pesquisa aponta que as famílias que recebem até dez salários mínimos são as mais afetadas:

  • Taxa de endividamento: Alcança 89,8% no grupo de menor renda, contra 81,8% na faixa que recebe acima desse limite.
  • Contas em atraso: O índice é de 67,5% no grupo que ganha até dez salários mínimos, enquanto fica em 54,4% entre as famílias de maior rendimento.

De acordo com o estudo, famílias de baixa renda têm orçamentos muito pressionados por despesas essenciais, restando pouca margem financeira para absorver imprevistos ou flutuações econômicas diárias.

Cartão de crédito é o principal vilão do orçamento doméstico

O cartão de crédito segue isolado como a principal ferramenta causadora de endividamento em Belo Horizonte, sendo citado em 97,3% das dívidas em aberto. O ranking de fontes de despesas inclui ainda:

  • Carnês de lojas: 31,8%
  • Crédito pessoal: 8,9%
  • Financiamento de veículos: 5,1%

Dívidas comprometem renda por longos períodos

O cenário de inadimplência na capital mineira costuma se estender no tempo. Quase metade dos consumidores com contas atrasadas (48,9%) convive com o atraso há mais de 90 dias. Em média, o tempo de atraso de pagamento de uma conta é de 65,1 dias.

As famílias de Belo Horizonte ficam com a renda comprometida com dívidas por um tempo médio de oito meses. Além disso, em 80,5% dos lares belo-horizontinos, as parcelas mensais cobram mais de 10% de todo o rendimento da casa — sendo que em 32,5% das residências o comprometimento das finanças supera a metade de todo o orçamento doméstico.

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