“A Odisseia” (2026), novo filme de Christopher Nolan, chega cercado por expectativas e, ao menos na avaliação da maior parte da crítica internacional, faz jus ao entusiasmo. A adaptação do clássico poema de Homero vem sendo apontada como uma das obras mais ambiciosas da carreira do diretor e figura entre os principais lançamentos do ano.
O longa acompanha a jornada de Odisseu (Ulisses) após a Guerra de Troia, transformando o poema épico em uma narrativa marcada por batalhas, tensão psicológica e conflitos humanos. Para muitos críticos, Nolan consegue equilibrar a grandiosidade da mitologia grega com o drama pessoal do protagonista, sem abrir mão do estilo visual que caracteriza sua filmografia.
Entre os aspectos mais elogiados está o impacto visual. A fotografia assinada por Hoyte van Hoytema, registrada inteiramente com câmeras IMAX de 70 mm, é apontada como um dos grandes diferenciais da produção. A escala das imagens e o nível de detalhamento ajudam a criar uma experiência considerada imersiva por diversos veículos especializados.
Outro destaque é o desenho de som, elemento recorrente nos filmes de Nolan. Críticos afirmam que cenas como o encontro com o ciclope Polifemo exploram suspense e até elementos de terror, aumentando a sensação de tensão ao longo da jornada. Também recebeu elogios a decisão de retratar os elementos fantásticos de forma mais contida, inserindo-os em um universo com aparência mais realista.
O elenco também foi bem recebido. Matt Damon interpreta Odisseu, enquanto Anne Hathaway vive Penélope. O filme ainda reúne Zendaya como Atena, Tom Holland no papel de Telêmaco, Charlize Theron como Circe e Robert Pattinson interpretando Antínoo.
Entre os principais elogios, o The Times classificou o filme como “uma obra-prima em todos os sentidos”, destacando a experiência visual e emocional da produção. Já o The New York Times afirmou que a intensidade da jornada faz o público sentir como se tivesse “ido ao inferno e voltado”. O Mashable ressaltou a estética mais suja e brutal da Idade do Bronze, além da construção de personagens femininas mais complexas. Para a revista Little White Lies, o filme confirma que uma produção de Nolan se tornou “um evento”, classificando a adaptação como um grande feito narrativo.
Apesar da recepção majoritariamente positiva, nem toda a crítica saiu convencida. A TIME Magazine publicou uma das avaliações mais negativas, argumentando que o espetáculo visual acaba sufocando a essência da narrativa. Além disso, especialistas em mitologia ouvidos pelo The Guardian apontaram que algumas nuances do poema original foram simplificadas, especialmente no tratamento de personagens femininas e na construção do próprio Odisseu.
Vale a pena assistir? Para quem aprecia o cinema de Christopher Nolan, grandes produções épicas e experiências visuais em tela grande, a resposta tende a ser sim. A ampla aprovação da crítica indica que “A Odisseia” entrega um espetáculo técnico e narrativo de alto nível, ainda que sua releitura do clássico de Homero possa gerar debates entre estudiosos da obra original e espectadores que esperavam uma adaptação mais fiel.




