O perfil de consumo dos brasileiros mudou, das classes mais baixas às mais altas. A tendência agora é a busca por autocuidado, maior seletividade nas compras e experiências de lazer mais imersivas.
Um estudo realizado pela consultoria McKinsey mostra que brasileiros com menor poder aquisitivo (renda individual inferior a R$ 3.000) estão preferindo marcas mais baratas, comprando menos itens, saindo menos de casa e poupando mais dinheiro. Segundo o levantamento, 68% desse grupo afirmam buscar evitar desperdícios. Essa maior preocupação em economizar pode estar relacionada ao alto índice de endividamento.
Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% das famílias que recebem até três salários mínimos estão endividadas, comprometendo quase 30% da renda total. Além disso, cerca de 60% do orçamento dessas famílias é destinado à alimentação e moradia.
Já consumidores com maior poder aquisitivo (renda individual superior a R$ 3.000) estão menos impulsivos e mais seletivos, mas continuam gastando. O percentual de pessoas desse grupo que adiam compras e esperam por produtos ou oportunidades específicas aumentou de 19% para 31%. Outros 55% reduziram o tamanho das compras, mas 65% disseram estar gastando mais nos últimos meses. Nesse grupo, apenas cerca de 30% do orçamento é destinado à alimentação e moradia, diferentemente das famílias de menor renda. Para onde está indo esse dinheiro?
Uns buscam guardar mais dinheiro e priorizar gastos essenciais, outros gastam mais, porém com produtos e experiências cuidadosamente selecionados. Enquanto isso, dois segmentos ganharam força no país entre consumidores de diferentes classes sociais: autocuidado e turismo.
O estudo da McKinsey cita um aumento de 89% nas vendas de creatina e de 124% nas vendas de whey protein, produtos utilizados para auxiliar a rotina de treinos físicos.
Segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil, nos últimos dez anos foram criadas mais de 40 mil academias, e o número de alunos matriculados cresceu 50% nos últimos cinco anos. De acordo com o estudo, esse avanço está ligado ao fortalecimento da cultura fitness no país.
Estudos voltados à área da saúde, realizados pelo grupo RD Saúde, mostram um aumento de 65% nos gastos com vitaminas. Já uma pesquisa apresentada na APAS Show 2026 revelou que 64% dos brasileiros passaram a incluir alimentos saudáveis na rotina.
Lazer também está mudando
Quarenta e dois milhões de brasileiros embarcaram em voos domésticos entre janeiro e maio deste ano, um crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O Ministério do Turismo afirma que 55% dos turistas brasileiros aumentaram o orçamento destinado às viagens.
O turismo brasileiro registrou o maior faturamento dos últimos 15 anos em 2025, somando R$ 185 bilhões. Além disso, as unidades de conservação federais receberam mais de 28 milhões de visitantes, o maior número dos últimos 25 anos, indicando um aumento do interesse por caminhadas, cachoeiras, trilhas e outras atividades em meio à natureza.
Embora não tenha parado de comprar, o brasileiro demonstra estar pensando mais antes de gastar. Famílias de menor renda priorizam gastos essenciais, buscam poupar e destinam o orçamento de lazer para atividades planejadas. Já as de maior renda constroem um catálogo mais rigoroso de produtos e experiências antes de consumir.
Como conquistar o novo consumidor?
Os estudos e pesquisas mostram que, embora existam diferenças entre as classes, todas caminham em uma direção semelhante: a busca por opções mais saudáveis e por experiências com maior valor percebido. Enquanto os levantamentos apontam menor intenção de compra de joias, roupas e acessórios, restaurantes que oferecem experiências além do produto — com ambientes voltados à criação de memórias e momentos — ganham espaço, assim como programações imersivas na natureza, passeios e destinos turísticos.
Também cresce a procura por produtos que contribuam para o bem-estar e a qualidade de vida, reforçando uma tendência de consumo mais consciente. Compreender esse novo comportamento pode ajudar empresas a adaptar seus produtos e serviços aos interesses do consumidor, tornando suas ofertas mais relevantes e funcionais.
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