Às vésperas da entrada em vigor das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, uma publicação do governo federal pelo Dia da Amizade, nesta segunda-feira (20/07), acabou chamando a atenção pelo contraste com o momento vivido nas relações comerciais entre os dois países.
Enquanto o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou que as exportações brasileiras passarão a sofrer um acréscimo tarifário de 25% a partir desta quarta-feira (22/07), o perfil oficial do governo brasileiro destacou a importância da cooperação entre as nações.
A imagem compartilhada mostra as bandeiras de Brasil, Estados Unidos, China, Argentina, Índia e União Europeia unidas por mãos dadas, em referência aos principais parceiros comerciais do país.
A legenda da publicação afirma: “Nesse 20 de julho, Dia da Amizade, vale destacar a relevância do diálogo e da cooperação entre as nações. A colaboração internacional contínua atua como um mecanismo para mitigar crises globais, ampliar mercados e promover o crescimento econômico coordenado entre os países, sem ofender a diplomacia e a soberania de cada nação.”
A coincidência entre a mensagem e a proximidade da adoção das novas tarifas levou usuários das redes sociais a apontarem a ironia do momento, já que a medida norte-americana representa um endurecimento das relações comerciais entre Washington e Brasília.
Os comentários na própria publicação, contudo, foram limitados, em conformidade com as regras aplicáveis ao período eleitoral.
Tarifaço entra em vigor na quarta-feira
A partir de quarta-feira (22/07), diversos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos passarão a pagar 25% de tarifa adicional.
Entre os itens atingidos estão etanol, máquinas agrícolas, vestuário e calçados. A carne bovina ficou de fora da medida, após ser incluída na lista de exceções divulgada pelo governo americano.
Além das tarifas, o USTR também citou preocupações relacionadas ao Pix, ao combate à pirataria, ao desmatamento ilegal e às condições de acesso ao mercado brasileiro de etanol como parte das questões levantadas pelos Estados Unidos na relação comercial com o Brasil.
Embora a publicação do governo não faça referência direta ao impasse comercial, o discurso de amizade, diálogo e cooperação internacional acabou contrastando com a escalada das tensões entre os dois países justamente na reta final antes da entrada em vigor do tarifaço.
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