Michelle Bolsonaro talvez ainda não seja candidata à Presidência. Mas tratá-la apenas como uma extensão política de Jair Bolsonaro é um erro que pode custar caro aos seus adversários.
A hipótese de uma candidatura em 2030 deixou de ser mera especulação porque ela passou a construir um capital político próprio, sustentado por uma linguagem que dialoga diretamente com milhões de brasileiros.
O que muita gente ignora é que essa força não nasce apenas da popularidade ou das redes sociais. Ela encontra respaldo em um universo simbólico que a esquerda insiste em tratar com superficialidade: o da tradição bíblica.
A mulher da Bíblia, ao contrário da caricatura frequentemente apresentada, não é apenas dócil ou submissa. Ela influencia reis, participa de decisões e exerce poder, mesmo em sociedades claramente patriarcais.
É exatamente essa referência que conversa com boa parte do eleitorado evangélico. Michelle, uma evangélica assumida, transmite essa imagem de forma natural.
Não porque tenha inventado uma personagem, mas porque fala a linguagem de um público que reconhece nesses valores uma forma legítima de liderança.
Enquanto isso, a esquerda continua demonstrando enorme dificuldade para compreender o segmento religioso.
Analisa os evangélicos como se fossem apenas um bloco eleitoral, quando, na verdade, existe ali uma cultura, uma visão de mundo e referências históricas próprias.
Quem desconhece esse repertório dificilmente entenderá por que Michelle amplia sua influência para além do eleitor conservador tradicional.
Ainda é cedo para saber se ela disputará o Palácio do Planalto. Mas já é tarde para insistir na ideia de que sua relevância política se resume ao sobrenome que carrega.
Em política, quem despreza os símbolos costuma descobrir tarde demais que eles também elegem presidentes.
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