Lucimar das Neves Ferreira, sobrevivente do acidente com Césio-137, foi encontrado sem vida neste sábado (25/07) no bairro Cidade Satélite, em Aparecida de Goiânia, aos 53 anos. Os familiares não informaram a causa do óbito. O velório e o sepultamento ocorreram na manhã de domingo (26), em Abadia de Goiás.
Irmão mais velho de Leide das Neves Ferreira, a primeira vítima do acidente, Lucimar carregou ao longo de toda a vida as sequelas físicas e emocionais da tragédia. Leide tinha apenas seis anos quando morreu, depois de ter ingerido partículas de pó de césio.
Em março deste ano, em entrevista ao Jornal Opção, Lucimar descreveu as dificuldades emocionais com que convivia. “Do nada, vem uma tristeza. Parece um distúrbio”, afirmou. O acidente o submeteu a longos períodos de internação hospitalar e isolamento.
Césio-137 marcou toda uma geração
O desastre com Césio-137 teve início em setembro de 1987, quando catadores descobriram, dentro de uma clínica desativada em Goiânia, um equipamento de radioterapia que havia sido deixado para trás. Nos dias seguintes, o material radioativo passou pelas mãos de dezenas de pessoas.
De acordo com o Jornal Opção, o episódio resultou na morte de pelo menos quatro pessoas e deixou mais de 200 expostas à radiação. As vítimas fatais, além de Leide, foram Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza.
Décadas depois, diversas famílias de Goiânia ainda carregam sequelas físicas e emocionais do acidente. A morte de Lucimar reacende a memória de um dos piores desastres radiológicos da história do Brasil.




