A farsa do “banho seco”: como a perícia desmontou a versão de tenente-coronel sobre a morte da esposa

Investigação aponta que soldado Gisele Santana sofreu “mata-leão” antes de ser baleada; perícia e depoimentos de socorristas contestam versão de suicídio

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Reprodução/Instagram/Gisele Alves Santana)

A morte da soldado Gisele Alves Santana, ocorrida no Brás, em São Paulo, entrou em uma fase decisiva neste mês de março. O que o marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, reportou inicialmente como um ato de autoextermínio, passou a ser formalmente investigado como feminicídio e fraude processual. A mudança na linha de investigação ocorreu após a perícia identificar inconsistências físicas e temporais na cena do crime.

1. Contradições no local do crime

No dia 18 de fevereiro, o oficial afirmou que estava no banho quando ouviu o disparo. No entanto, elementos colhidos logo após a chegada das autoridades levantaram os primeiros questionamentos:

  • O fator umidade: relatos de socorristas indicam que, ao chegarem ao apartamento, encontraram o oficial de bermuda, sem camisa e com a pele e cabelos inteiramente secos. Além disso, não foram encontradas marcas de água ou umidade no chão do banheiro, o que contrasta com a versão de que ele teria acabado de sair do chuveiro.
  • Posicionamento da arma: um dos socorristas que atendeu a ocorrência desconfiou da forma como a pistola estava “encaixada” na mão da soldado. Segundo o depoimento, a arma parecia ter sido posicionada de maneira excessivamente precisa, o que o levou a fotografar a cena por precaução antes da chegada da perícia técnica.

Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo

2. O laudo da exumação e as lesões ante mortem

A prova mais contundente contra a tese de suicídio surgiu após a exumação do corpo de Gisele, realizada em 6 de março. O exame necroscópico detalhado revelou sinais de violência física que teriam ocorrido momentos antes do disparo:

  • Mecanismo de asfixia: peritos do Instituto Médico Legal (IML) identificaram lesões contundentes na região do pescoço, compatíveis com pressão digital e estigmas ungueais (marcas de unhas). Tais evidências sugerem que a vítima foi submetida a uma manobra de imobilização, como um “mata-leão”.
  • Estado de inconsciência: de acordo com o laudo, há indícios de que Gisele teria desmaiado ou perdido a capacidade de defesa em decorrência da agressão física antes de ser atingida pelo projétil no lado direito do crânio.

3. Suspeita de manipulação da cena (fraude processual)

A investigação também apura a conduta de terceiros após o ocorrido. Imagens de câmeras de monitoramento do edifício registraram a entrada de três policiais militares no apartamento cerca de 10 horas após a morte de Gisele.

Testemunhas afirmaram em depoimento que essas agentes teriam realizado uma limpeza no local, removendo respingos de sangue e reorganizando o mobiliário. A Polícia Civil investiga se essa ação teve o intuito de dificultar o trabalho da perícia técnica e ocultar vestígios da dinâmica real dos fatos.

4. Histórico e perfil dos envolvidos

A investigação incorporou ao inquérito o histórico administrativo do tenente-coronel. Em outubro de 2024, ele foi condenado pela Justiça Militar por abuso de autoridade, em um caso envolvendo assédio moral contra uma subordinada. Paralelamente, mensagens de texto recuperadas do celular da soldado Gisele mostram que ela relatava episódios de ciúmes excessivos e ofensas verbais, indicando um relacionamento conturbado.

Cronologia dos fatos

DataStatus da Investigação
18/02Ocorrência é registrada inicialmente como suicídio após relato do marido.
23/02Realizada a reconstituição do crime com a participação do oficial.
06/03Exumação do corpo e descoberta de lesões de agressão no pescoço.
11/03Justiça autoriza a mudança da tipificação para feminicídio; oficial torna-se investigado.
18/03Decretada a prisão preventiva do Tenente-Coronel por suspeita de homicídio e fraude.

O tenente-coronel Geraldo Neto encontra-se detido no Presídio Militar Romão Gomes. A defesa do oficial nega as acusações e sustenta a tese original de que a soldado Gisele atentou contra a própria vida. O processo segue agora para a fase de instrução, em que as provas serão confrontadas perante o juiz.

Leia mais: Quem é o tenente-coronel acusado de matar a esposa Gisele Alves

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 07.577.172/0001-71