Acampamento Terra Livre reúne 8 mil indígenas em marcha por demarcação em Brasília

Participantes denunciam impactos de Belo Monte e projeto Belo Sun em territórios tradicionais e cobram políticas públicas para comunidades

Por Redação TMC | Atualizado em
(Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Pelo menos 8 mil participantes do Acampamento Terra Livre percorreram a Esplanada dos Ministérios nesta sexta-feira (10/04). A mobilização reuniu povos indígenas de diferentes regiões do Brasil. Os manifestantes carregaram faixas e bandeiras contra projetos de mineração em territórios tradicionais. A caminhada partiu do local do acampamento e percorreu aproximadamente quatro quilômetros até o Congresso Nacional.

A manifestação ocorreu durante a 22ª edição do Acampamento Terra Livre, que se estende até sábado (11/04), conforme informações da Agência Brasil. Representantes indígenas entregaram documentos ao Executivo e ao Itamaraty ao término da marcha.

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Os participantes reivindicam maior agilidade nos processos de demarcação de terras indígenas. A mobilização denuncia os impactos de empreendimentos como a Usina de Belo Monte e o projeto da mineradora Belo Sun sobre territórios tradicionais. Os indígenas apresentam demandas por políticas públicas para suas comunidades, incluindo acesso regular à água e ampliação de unidades de ensino.

Claudia Kaxinawá, de 21 anos, trabalhadora rural do povo Huni Kuim, viajou dez dias de ônibus de Tarauacá (AC) até Brasília. Moradora da aldeia Mabayá, ela subiu ao ombro de um amigo no Congresso Nacional para segurar a ponta mais alta de uma bandeira contra a exploração de empresas mineradoras em terras indígenas. “Tenho muito orgulho de levar essa bandeira e lutar pelo meu povo. Nós jovens precisamos estar engajados”, afirma.

A liderança indígena Sara Lima, de 42 anos, do povo pataxó, segurava a bandeira da Aliança dos Povos pelo Clima durante a marcha. Ela cobriu as mãos de corante vermelho para denunciar os impactos do projeto da mineradora Belo Sun sobre a Volta Grande do Xingu e territórios tradicionais da região em que vive em Mato Grosso. “A gente não quer o projeto Belo Sun, pois já temos outro, chamado Belo Monte, que destruiu quase 80% do nosso território. A gente não tem mais o que comer porque não há reprodução de peixe”.

Faixas com frases como “Congresso: escolha entre a vida e o ouro” foram carregadas pelo caminho. “Impactam fauna e flora de nossa região”.

Naron da Silva, de 22 anos, agente de saneamento do povo tupi, carregava uma faixa pela Esplanada dos Ministérios. Morador da aldeia Tapirema, onde vivem 25 famílias, ele vive no território indígena Piaçaguera, entre Peruíbe e Itanhaém (SP), em uma área de Mata Atlântica. Ele sonha fazer um curso superior em psicologia para colaborar com a saúde mental de seu povo. “Viemos para Brasília para protestar e pedir políticas públicas. Nossa terra ainda tem a ameaça de muitos grileiros”.

O pedido de políticas públicas inclui a dificuldade que a comunidade tem com o abastecimento regular de água. “Água é tudo para a gente”.

Um grupo da comunidade Gueguês, localizada a seis quilômetros da cidade de Uruçuí (PI), caminhou à frente dos indígenas do litoral paulista. Marilene de Jesus, de 37 anos, participa da mobilização. Ela é a primeira pessoa de sua família a chegar ao ensino superior. Ela estuda licenciatura intercultural no Instituto Federal do Piauí (IFPI), está no começo do curso e quer se tornar educadora para ensinar os mais novos a terem orgulho da história do seu povo.

Entre os pedidos do grupo da comunidade Gueguês estão mais unidades de ensino, incluindo uma faculdade. “Não imaginava que iria me tornar professora, mas é preciso”.

Os indígenas entregaram uma carta a representantes do Executivo reconhecendo avanços, mas pedindo maior celeridade das demarcações de terra. Em outro documento, as lideranças apresentaram ao Itamaraty proposta de criação de áreas livre de exploração de petróleo e gás.

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