Alcides Bernal compareceu à delegacia nesta terça-feira (24/03) após atirar e matar Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em uma residência no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande. A vítima havia arrematado o imóvel em leilão judicial e estava no local para finalizar trâmites de posse. O ex-prefeito alega legítima defesa.
Segundo Bernal, o sistema de segurança da propriedade emitiu alerta sobre a entrada de três pessoas no local. Após efetuar os disparos, ele acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro. Posteriormente, foi conduzido à Depac Cepol para prestar depoimento.
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Roberto Carlos Mazzini foi atingido por dois disparos que causaram três perfurações. O corpo foi encontrado na varanda, na entrada da residência. Equipes médicas tentaram procedimentos de reanimação sem sucesso. A casa estava desocupada no momento do ocorrido.
Mazzini estava acompanhado de outras duas pessoas, incluindo um chaveiro. Somente ele foi atingido pelos tiros. Na caminhonete da vítima, as autoridades encontraram documento de notificação extrajudicial para desocupação do imóvel.
O documento, datado de 20 de fevereiro de 2026, continha o seguinte texto: “Diante do exposto, fica V.Sª NOTIFICADO a desocupar o imóvel voluntariamente, livre de pessoas e bens, no prazo de 30 dias”, contados a partir do recebimento desta notificação, entregando as chaves ao notificante ou administradora.
A Polícia Civil lavrou flagrante e registrou o caso como homicídio qualificado por traição, emboscada ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido.
A propriedade tinha avaliação inicial de R$ 3,7 milhões. No leilão, o lance inicial foi estabelecido em R$ 2,4 milhões, representando desconto de 36%. As ofertas do leilão tiveram início às 10h do dia 25 de novembro de 2025.
Em 2023, relatório apresentado à Justiça indicava que a dívida de Bernal com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) ultrapassava R$ 80 mil. O débito é referente aos anos de 2018 e 2019. A prefeitura de Campo Grande ingressou na Justiça em novembro de 2021 para cobrança da dívida.
O juiz Wagner Mansur Saad determinou a notificação de Bernal no ano passado. O político não foi localizado no endereço. O valor total da dívida do imóvel é atualmente de R$ 344 mil.
Em 2025, a Justiça de Mato Grosso do Sul determinou o despejo do ex-prefeito de uma fazenda em Sidrolândia. A decisão judicial também ordenou a reintegração da posse ao proprietário do imóvel rural. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Cível de Campo Grande.
O despejo da fazenda foi determinado devido à falta de pagamento do arrendamento. O proprietário da fazenda relatou que é analfabeto funcional. Em janeiro de 2019, firmou contrato de arrendamento com Bernal para exploração agropecuária. Ele afirmou não ter entendido todas as cláusulas do contrato e apontou divergências sobre prazos e formas de pagamento.
Em setembro de 2013, dois empresários de Campo Grande fizeram denúncias sobre supostas irregularidades em contratos emergenciais firmados por Bernal. O prefeito foi convocado para depor. Após faltas, acabou encaminhando defesa por escrito.
No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, a comissão apresentou o relatório final recomendando aos demais vereadores que o prefeito fosse cassado. A audiência foi marcada para depois do feriado, no dia 26 de dezembro. O plenário ficou lotado de pessoas a favor e contra o prefeito. Pouco depois do início, a sessão teve que ser suspensa por decisão da Justiça a favor de Bernal.
Os vereadores entraram com recurso. O político havia conseguido mais uma liminar impedindo que a votação fosse concluída. A Câmara apelou ao Superior Tribunal de Justiça para conseguir julgar o prefeito.
Os votos aconteceram em 2014. 23 dos 29 vereadores de Campo Grande votaram a favor da cassação do prefeito Alcides Bernal (PP) por irregularidades em contratos emergenciais. O político perdeu o mandato imediatamente. O vice Gilmar Olarte (PP) assumiu o comando do Executivo do município.
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