A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contabilizou seis óbitos suspeitos e 225 casos de pancreatite potencialmente associados ao uso de medicamentos agonistas do GLP-1 no Brasil. Os dados foram coletados desde 2018 através do sistema VigiMed e de relatos provenientes de pesquisas clínicas realizadas no país. A questão ganhou relevância nesta sexta-feira (7/2), após autoridades britânicas emitirem alerta sobre 19 mortes relacionadas a esses medicamentos no Reino Unido.
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As notificações brasileiras envolvem diferentes tipos de canetas emagrecedoras utilizadas para tratamento de diabetes e obesidade, como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida. Esses registros foram acumulados ao longo dos últimos oito anos, período que coincide com o aumento da popularidade dessas medicações no país.
Os casos foram identificados em pacientes de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. A Anvisa, no entanto, não divulgou os estados onde ocorreram especificamente os seis óbitos suspeitos relacionados a possíveis complicações de pancreatite após o uso desses medicamentos.
Na base de dados do VigiMed, os 225 casos aparecem vinculados a diversos medicamentos comerciais, incluindo Wegovy, Victoza, Saxenda, Ozempic, Rybelsus e Mounjaro. Esses números são classificados como suspeitos porque ainda necessitam passar por análise técnica para confirmação definitiva.
Especialistas alertam que a quantidade real de casos pode ser superior à registrada oficialmente. No Brasil, a notificação desse tipo de ocorrência não é obrigatória para médicos e hospitais que atendem pacientes com pancreatite em uso de agonistas do GLP-1.
A Anvisa ressalta que não é possível confirmar que todos os casos estejam efetivamente relacionados a marcas específicas. Há registros de uso de produtos falsificados ou manipulados apresentados como similares aos originais, o que dificulta a identificação precisa da causa.
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Em abril de 2025, a Anvisa implementou a restrição de venda desses medicamentos com retenção de receita médica. “Esses dados e outros foram base para que estes medicamentos sofressem a restrição de venda com retenção de receita médica, determinada pela Anvisa em abril de 2025, para que todos os pacientes fossem avaliados criteriosamente por um médico antes de ter acesso aos medicamentos”, informou a agência.
A Anvisa considera que, até o momento, a exigência de receita médica tem se mostrado uma medida de controle adequada. A agência monitora a situação e não descarta implementar novas restrições caso identifique riscos adicionais.
Os fabricantes dos medicamentos também se manifestaram sobre o assunto. A Novo Nordisk, responsável por produtos como Ozempic, Rybelsus, Wegovy, Victoza e Saxenda, declarou: “Existe uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em incretina (ou seja, agonistas do receptor GLP-1, agonistas duais GIP/GLP-1 e inibidores de DPP-4) referente ao risco de pancreatite. A pancreatite aguda está incluída como uma reação adversa a medicamentos (RAM) nas bulas de todos os produtos GLP-1 RA comercializados, incluindo Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®, Victoza® e Saxenda®.”
