O resultado do laudo de exame toxicológico do menino Arthur de Mello da Silva, de 11 anos, confirmou que a criança ingeriu terbufós-sulfóxido, substância popularmente conhecida como “chumbinho” e frequentemente comercializada de forma ilegal como raticida. Com a confirmação, a principal linha de investigação da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que assumiu o caso, é de que a criança possa ter sido envenenada de forma proposital.
A substância foi detectada no lavado gástrico analisado pelo Instituto Médico-Legal (IML). Além do terbufós-sulfóxido, os peritos também encontraram vestígios de lidocaína e midazolam no material coletado. No entanto, a detecção dessas duas últimas substâncias pode estar relacionada ao atendimento médico recebido no hospital.
Arthur faleceu na noite de quinta-feira (11/06) após passar dias internado em estado delicado no Hospital Estadual Ricardo Cruz (HerCruz), em Nova Iguaçu. Segundo relatos de seu pai, Ademir de Mello, o menino apresentava um grande inchaço cerebral e vinha respondendo às medicações de forma limitada.
Cronologia e registro do caso
De acordo com os novos relatos de parentes, o mal-estar teria começado em 31 de maio, durante uma festa da avó materna, em que o menino comeu um pedaço de bolo. Uma câmera de segurança registrou a chegada de Arthur em casa às 18h23 daquele dia. O pai contou que o filho adormeceu logo após comer e, mais tarde, acordou vomitando. O estado de saúde piorou rapidamente, exigindo internação hospitalar imediata no dia 1º de junho.
A ocorrência havia sido registrada inicialmente no dia 2 de junho na 64ª DP (São João de Meriti) pelo pai do menino, que já suspeitava da ingestão de raticida. Com o falecimento da criança, o caso foi transferido para a DHBF.
Posicionamento das autoridades e da família
A Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, por meio da diretoria do HerCruz, emitiu uma nota lamentando o falecimento. “A direção do Hospital Estadual Ricardo Cruz (HerCruz) informa que, apesar de toda dedicação da equipe médica e multidisciplinar, infelizmente o menino Arthur de Mello da Silva foi a óbito na noite de ontem. A direção da unidade lamenta profundamente a morte de Arthur, solidariza-se com a família e se coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos”, diz o comunicado.
A mãe do menino, Lindiane da Silva, reforçou o pedido por respostas céleres das autoridades: “A cura do meu filho é a Justiça”, declarou.
A Polícia Civil informou que novas diligências estão em andamento e testemunhas começaram a ser ouvidas para identificar as circunstâncias exatas e a autoria do que provocou o quadro clínico que levou à morte da criança. O pai de Arthur já prestou depoimento formal.
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