A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro prendeu o ator José Dumont, de 75 anos, no Flamengo, Zona Sul do Rio. A prisão ocorreu na noite de terça-feira (03/03) para cumprimento de sentença condenatória transitada em julgado. O Tribunal de Justiça estadual fixou pena de nove anos e quatro meses por estupro de vulnerável.
O artista foi conduzido à DC-Polinter. Posteriormente será transferido ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição das autoridades judiciais.
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Crime ocorreu em 2022
A condenação refere-se a fatos ocorridos em 2022. O ator levou um menor de 11 anos para o interior de seu apartamento no Flamengo. A criança era filho de uma ambulante que vendia cuscuz na porta do edifício onde Dumont residia.
Vizinhos relataram às autoridades que o menino frequentava o apartamento do artista em circunstâncias suspeitas. As denúncias dos moradores do prédio deram início às investigações.
As apurações revelaram que Dumont teria utilizado seu prestígio para atrair a atenção do adolescente. O ator ofereceu ajuda financeira e presentes, aproveitando-se da vulnerabilidade da vítima.
As investidas incluíram beijos na boca e carícias íntimas. Câmeras de vigilância registraram os atos. Moradores informaram que a criança teria ido mais de uma vez ao apartamento.
Durante mandado de busca e apreensão executado na residência, as autoridades localizaram 240 arquivos contendo imagens e vídeos de pornografia infantil. Foi encontrado um comprovante de depósito bancário no valor de R$ 1 mil destinado à suposta vítima.
Na delegacia, a mãe da vítima declarou que só soube do ocorrido após as denúncias dos vizinhos. De acordo com o advogado da família, outras crianças também podem ter sido vítimas do ator.
Condenação anterior por pornografia infantil
Em 2023, a juíza Gisele Guida de Faria, da 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente do TJ-Rio, condenou Dumont por possuir e armazenar fotografias e vídeos contendo cenas de pornografia envolvendo crianças e adolescentes.
Por ter mais de 70 anos, o ator teve sua pena inicial de um ano e dois meses atenuada. A sentença final estabeleceu um ano de reclusão no regime aberto.
O artista havia sido preso em flagrante em 15 de setembro por armazenar material pornográfico infanto-juvenil. Na ocasião, foram encontrados mais de 240 arquivos entre imagens e vídeos de pornografia infantil.
Dumont foi solto no Dia das Crianças por ordem da Justiça. Após a soltura, ficou sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
Carreira artística
Natural da Paraíba, Dumont iniciou sua carreira artística nos anos 1970. Antes de se dedicar à atuação, passou pelo Exército e pela Marinha Mercante.
O reconhecimento nacional veio com o filme O Homem que Virou Suco, de João Batista de Andrade. Pela atuação, recebeu o prêmio de melhor ator nos festivais de Gramado e de Brasília.
O artista conquistou o Candango de melhor ator no Festival de Brasília em quatro ocasiões. Os trabalhos premiados foram A Hora da Estrela, Kenoma, O Último Raio de Sol e O Homem que Virou Suco.
Ao longo de sua carreira, participou de aproximadamente 50 produções entre longas e curtas-metragens. Entre seus trabalhos no cinema estão Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia e Morte e Vida Severina. Seu trabalho mais recente no cinema foi em Curral, lançado em 2021.
Na televisão, acumulou participações em novelas e minisséries. Na primeira versão de Pantanal, exibida em 1990, interpretou Gil Marruá, pai da personagem Juma Marruá. No mesmo ano, atuou em A História de Ana Raio e Zé Trovão, no papel de Mané Coxo. Também integrou o elenco de produções como Lampião e Maria Bonita e da novela América.
