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BatucAldeia: projeto une cultura, ritmos negros e combate ao racismo

“A gente celebra a cultura negra toda semana. O 20 de novembro se repete toda sexta”, Bruna Nogueira, do BatucAldeia.

O BatucAldeia, grupo de cultura popular brasileira da Aldeia de Carapicuíba, começou há 20 anos, inicialmente com aulas de percussão na OCA, Escola Cultural. Mas foi somente em 2015 que Blec Paulo fundou oficialmente o coletivo, iniciando o projeto para ensinar música à comunidade. Seu objetivo é educar a população, divulgar os artistas locais, além de promover o enfrentamento ao racismo, por meio de ritmos de origem negra, como o Maracatu, o Coco de Roda e o Samba-Reggae. 

Atualmente, o grupo reside na Aldeia Jesuítica, um patrimônio histórico do município de Carapicuíba, no Estado de São Paulo. O local foi fundado em 1580, pelo Padre José de Anchieta, sendo a única aldeia conservada entre as 12 fundadas por ele, tombada pelo IPHAN em 1941. 

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Blec Paulo conta que a trajetória até a ocupação cultural da Aldeia não foi simples. Durante a pandemia da Covid-19, a praça ficou abandonada. Assaltos começaram a acontecer, e até dois assassinatos. O desejo de Paulo e de Bruna Nogueira, sua esposa que é co-fundadora do projeto, era resgatar esse espaço que tinha tanto potencial, mas que estava sendo mal aproveitado, e transformá-lo em um polo cultural. 

Vendo essa situação, eles buscaram soluções: “A gente queria estar ali, e também seria uma forma de mostrar nosso trabalho e divulgar coletivos e potências que temos na Aldeia. A gente entrou como uma ocupação cultural mesmo, não pedimos licença para ninguém. Vimos aquela situação e pensamos: precisamos fazer isso agora”, explica Bruna.

Blec Paulo e Bruna Nogueira/ Divulgação BatucAldeia

Após realizarem aulas de percussão na praça e organizarem eventos, eles se deram conta de que, para garantir sua permanência no local, deveriam ter permissão municipal. Por isso, fizeram uma solicitação à Secretaria de Carapicuíba, reivindicando o espaço para usos culturais. No entanto, encontraram dificuldades pela troca frequente de secretários, o que não facilitava o fluxo de informações e aprovações.

Em 2024, após dois anos de ocupação cultural, o Grupo BatucAldeia, através do Vereador Professor Naldo (PT), apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal que fez da Sexta-Negra a lei municipal 4.115 de 14/10/2024, garantindo a permanência no local. Com isso, o projeto tem pelo menos a primeira e terceira sexta do mês “reservadas” para atividades afro-brasileiras na praça. “Naquele momento, esse era o único respaldo jurídico que tínhamos para fazer os eventos no local”, diz Blec Paulo. 

Hoje, o BatucAldeia tem uma série de projetos consolidados, como a Oficina-Show Danças Brasileiras, que envolve dança com música ao vivo, o Som Reciclado, que traz a construção de instrumentos musicais utilizando materiais recicláveis e a Recreação e Formação de Educadores Brincantes, ensaios de Carnaval e outros eventos. 

Divulgação/ BatucAldeia

O grupo traz um impacto positivo à comunidade de Carapicuíba, já que, além de oferecer cultura e música de forma gratuita, a ocupação do espaço público movimentou a economia local. Bares e pequenos estabelecimentos começaram a abrir na região. “Começou uma economia solidária. No início, não tinha ninguém na praça. E aí uma pessoa começou colocando uma barraca de pastel, outra colocou uma barraca de pipoca. Isso foi trazendo possibilidade de negócios para essas pessoas. Até a questão da segurança pública, com gente movimentando o espaço, a violência vai parando”, conta Paulo. 

O idealizador do BatucAldeia tem as raízes ligadas à música desde a infância, já que seu avô e tios eram músicos. Com formação em licenciatura e bacharelado em música, traz todo o seu conhecimento para o projeto. Bruna, embora formada em enfermagem, tem conexão espiritual com o terreiro e a cultura negra.

O grupo também tem papel fundamental na luta antirracista: “Existem muitos coletivos negros, acreditamos na potência da comunidade. Quando a gente vai fazer uma ficha técnica de apresentação, praticamente todas as pessoas são negras, afirma Bruna.

“Só de fazer um movimento chamado Sexta-Feira Negra, já provoca um pensamento e uma reação em quem escuta esse nome.Toda semana fazemos um evento de exaltação à cultura negra”, acrescenta Paulo. 

Leia Mais: Antes de ser “Little Tokyo”, bairro da Liberdade abrigava escravizados condenados à forca

O BatucAldeia é aberto a todos os públicos, de crianças a idosos. É um espaço universal para trocas e aprendizados, e conta com pessoas vindas até mesmo de outras regiões do Brasil para participar das vivências oferecidas. “Vem gente de Cotia, Santana de Parnaíba, São Paulo, Litoral. É uma tradição convidar mestres pernambucanos, nordestinos e baianos, trazer essa relação mais próxima com as pessoas daqui”, explica Bruna. 

“Toda sexta é negra na Aldeia, a gente celebra a cultura negra toda semana. Para a gente, o 20 de novembro se repete toda sexta. Essa semana, em especial, temos o Sarau Sexta Negra, que foi o evento pioneiro de todo esse movimento, em que damos palco para todos os artistas que querem expressar a sua arte. É a 25ª edição.” – Bruna Nogueira. 

Para participar da Sexta-Feira Negra ou de outros eventos do BatucAldeia, basta chegar no local. A praça é aberta a todos, e fica localizada na Rua João Fasoli, no bairro Jardim Marilu em Carapicuíba-SP.

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