Brasil volta à parceria contra o crime internacional para aliviar tarifaço dos EUA

Em nova reunião nesta quinta-feira, governo brasileiro levou o tema como um gesto de consenso entre os países

Por , Rio de Janeiro
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil levou novamente aos Estados Unidos propostas de aproximação entre os países para combater o crime organizado internacional. A conversa aconteceu nesta quinta-feira no contexto da negociação contra o tarifaço do governo Trump.

Segundo o ministro, esta foi a quarta reunião entre os países sobre o tema e o Brasil levou a questão da criminalidade como um ponto de parceria com os norte-americanos para aliviar a decisão da tarifa.

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“Hoje nós debatemos muito modos de aperfeiçoamento, de aproximação, que o presidente Lula pediu ao presidente Trump, em maio, entre as nossas polícias brasileiras, a Polícia Federal, e a polícia norte-americana para o combate aos crimes transnacionais. O crime organizado transnacional, lavagem de dinheiro. A questão de imigração”, disse.

Marcio Elias Rosa também informou que o governo brasileiro levou questões sobre propriedade intelectual e atração de data center. O ministro ainda criticou a interferência política da família Bolsonaro nas relações diplomáticas, o que, segundo ele, “polui o diálogo”.

“Vínhamos negociando a partir de 7 de maio, quando tivemos lá na Casa Branca, quando surgiram as recomendações. Os exemplos podem ser: a ordem executiva de júri do ano passado, que anuncia a necessidade de interferir no julgamento do Supremo Tribunal Federal; a publicação por quem estava nos Estados Unidos, um ex-deputado federal, se dizendo, autor ou patrocinador do tarifaço, esse tarifaço de encomenda; e, ao mesmo tempo, alguém aqui no Brasil celebrando nas redes sociais o fato de ter sido imposta. Essas pessoas sempre dificultam muito o trabalho. Não porque são capazes de causar algum alvoroço, mas porque poluem o debate político ou colocam num debate que é econômico, comercial, um componente político que não deveria estar”, questionou.

O prazo final para os Estados Unidos decidirem sobre a aplicação da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros é 15 de julho. O governo norte-americano acusa o Brasil de promover práticas desleais no comércio bilateral.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, fez coro ao ministro e lembrou da carta pública do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ao senador e pré-candidato à Presidência Flavio Bolsonaro em que há a promessa aos Estados Unidos de participarem do governo de transição, caso seja eleito no Brasil.

“Isso viola o princípio básico da transição, que você transfere o sigilo da informação. O sigilo, você assina uma carta de compromisso que você é responsável, cada grupo, por aquele sigilo que está sendo ofertado. Você não pode expor essa informação, são informações do Estado brasileiro, de estratégia ou de desenvolvimento, ou da defesa, ou de tecnologia, ou da área de energia. É muito grave, uma violação clara da soberania do Brasil”, criticou.

As declarações foram dadas no Fórum Brasil Mais Verde, promovido pelo BNDES e realizado na sede do banco, no Centro do Rio.

O ministro da Fazenda, Dario Duringan, também participou do evento e afirmou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) irá reajustar, de novo, a previsão de crescimento do Brasil.

Em abril, o FMI elevou ‌de 1,6% para 1,9% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2026. Em meio à guerra no Oriente Médio, o Fundo apontou o impacto positivo para o Brasil como exportador de petróleo. À época, o número ainda estava abaixo do projetado pelo próprio Ministério da Fazenda, em 2,3%.

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