Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos, faleceu durante operação militar na região de Donbass enquanto servia na 60ª Brigada ucraniana. A morte do paranaense foi confirmada pelo comandante da unidade no domingo (4), aproximadamente um mês antes do término de seu contrato. O brasileiro havia solicitado auxílio à Embaixada do Brasil para retornar ao país.
A confirmação do óbito ocorreu após Rafaela Alves, esposa de Gustavo, não receber notícias dele por uma semana. Preocupada com o silêncio incomum, ela contatou o comandante da unidade, que informou sobre a morte durante missão no leste ucraniano.
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Apenas seis dias após chegar à Ucrânia, em 27 de julho de 2025, Gustavo enviou um e-mail à representação diplomática brasileira solicitando orientação urgente para voltar ao Brasil. No documento, ao qual o g1 teve acesso, ele descreveu estar em situação de vulnerabilidade.
“Ele chegou a se arrepender de ter ido, porque mandou um e-mail para a embaixada pedindo ajuda para voltar ao Brasil”, afirmou Rafaela. “Ele queria muito voltar”, acrescentou a esposa.
O último contato entre o casal aconteceu na madrugada de 29 de dezembro, às 4h50, quando Rafaela recebeu áudios enviados por um oficial. Em uma mensagem de aproximadamente 50 segundos, Gustavo expressou esperança de retornar ao Brasil, mencionou a proximidade do fim do contrato e falou sobre a saudade da família, especialmente dos avós.
A família relata discrepância entre o que foi prometido e a realidade enfrentada pelo brasileiro. “Falaram que ele ficaria na artilharia [apoio à distância, sem contato direto], mas acabou sendo colocado na infantaria [focada no combate direto e ocupação de terreno], que era algo que ele não queria”, explicou Rafaela.
Antes de partir para o conflito, Gustavo trabalhava como administrador e motoboy. Ele serviu ao Exército Brasileiro em 2018. Ao chegar à Ucrânia em julho de 2025, passou por treinamento básico de aproximadamente 20 dias e foi informado que participaria de uma missão de curta duração, de cerca de 15 dias.
“Foram quase cinco meses sem comunicação regular e dois primeiros meses sem nenhuma notícia. Depois de muita insistência, consegui receber alguns áudios por meio de um oficial de comunicações”, relatou Rafaela. “Infelizmente, o corpo do Gustavo não vai voltar para o Brasil e muito provavelmente também não será recuperado de onde está”, declarou.
O Ministério das Relações Exteriores emitiu alerta em junho de 2025 recomendando que brasileiros recusassem propostas de alistamento voluntário em forças armadas estrangeiras. O g1 contatou o Itamaraty e o consulado brasileiro em Kiev, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
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Gustavo deixa esposa e um filho de três anos. Rafaela residia em Brasília com a criança enquanto o marido, natural de Curitiba, permaneceu na Ucrânia de julho a dezembro de 2025.
“Gustavo era uma pessoa muito amada, conquistava o coração de todos por onde passava. Sonhava em servir o país, assim como o avô e o tio. Era um pai incrível, com o sonho de dar uma vida melhor para o filho”, disse Rafaela.
