O Ministério da Saúde suspendeu preventivamente, na segunda-feira (08/06), a aplicação da vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão seguiu recomendação do Comitê de Farmacovigilância Nacional após o registro de 42 reações graves possivelmente ligadas ao imunizante e duas mortes sob investigação.
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, tranquilizou quem já recebeu o imunizante. Segundo ele, quem tomou a dose há mais de 21 dias não precisa se preocupar.
“Quem já tomou a vacina pode ficar absolutamente descansado. […] Todos aqueles que já receberam a vacina podem contar com a proteção que ela promete, de 65% de não pegar a doença cinco anos após a aplicação e 80% para não desenvolver dengue grave”, afirmou Kallás, em entrevista ao canal GloboNews.
Kallás também explicou o que a suspensão representa para quem já foi vacinado. “Essa decisão não invalida a eficácia, mas ela busca a gente ganhar tempo para fazer estudos adicionais e avaliar a vacina em diferentes cenários epidemiológicos e grupos populacionais para encontrar eventuais fatores de riscos ou cenários em que o benefício da vacinação superaria os riscos. Então, a população vacinada, ela continua protegida, então quem tomou a vacina está protegido contra os quatro tipos da dengue”, disse.
Para quem foi vacinado há menos de 21 dias, a orientação é comunicar as autoridades de saúde caso surjam sintomas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos. “Passados os 21 dias da vacinação, a pessoa só usufrui do benefício da proteção que a vacina demonstrou nos estudos de fase 3”, comentou Kallás.
Entre os episódios relatados, dois chamaram atenção. Uma mulher de 39 anos apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Outro caso envolve uma mulher de 48 anos, que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após receber a dose e veio a óbito.
Kallás reforçou a confiança no imunizante. “Baseado nas informações que nós temos até agora, nas avaliações de benefício risco, a gente está convencido que a vacina tem o seu lugar, deve ser usada e é a ferramenta mais poderosa para poder controlar a dengue no Brasil”, declarou. O instituto também se comprometeu com o processo de investigação.
“Nosso compromisso é com o máximo rigor científico possível e a gente vai trabalhar nesse sentido com a esperança de que nós vamos conseguir dados suficientes, evidências suficientes para mostrar que a vacina tem benefício para a saúde pública brasileira e pode ser retomada essa vacinação”, disse o médico infectologista Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.
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