A consultoria PiniOn realizou levantamento com 1.533 usuários de aplicativos de entrega de comida em todas as regiões do Brasil. O estudo foi encomendado pelo iFood e concluído em fevereiro de 2026. Os resultados devem fundamentar as discussões sobre regulamentação do trabalho por aplicativos no Congresso.
A pesquisa revela que 67% dos clientes diminuiriam a frequência de compras caso os valores aumentem. Outros 15% abandonariam completamente as plataformas se houvesse elevação no preço final.
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Preferências de preço e barreiras ao consumo
O valor final do pedido e as taxas de entrega são os fatores que mais influenciam a decisão de compra. Os consumidores consideram aceitáveis taxas entre R$ 4,99 e R$ 8,49.
Valores superiores a R$ 12 na taxa de entrega são aceitos por apenas 5% dos respondentes.
O preço final foi apontado por 56,4% dos clientes como principal motivo para desistência de pedidos já iniciados. A taxa de entrega aparece como uma das principais barreiras.
Do total de respondentes, 35,2% gostariam de fazer mais pedidos pelas plataformas. Desse grupo, 64,2% citam motivos financeiros como impedimento para pedir com a frequência desejada.
Mais promoções e descontos, frete grátis e preços mais baixos nos estabelecimentos foram apontados como fatores que aumentariam o uso dos aplicativos.
Debate sobre regulamentação no Congresso
As plataformas de delivery travam disputa com o governo no debate pela regulamentação dos serviços por aplicativos. Um dos pontos discutidos no Congresso envolve a implementação de valor mínimo destinado aos entregadores.
Não há consenso nas discussões. O valor pode chegar a R$ 10 por entrega com R$ 2,50 por quilômetro adicional.
O iFood avalia que o aumento do valor dos pedidos não se traduz em maior renda para o entregador. A empresa entende que pode gerar ociosidade e perda de postos de trabalhos digitais. Existe ainda o entendimento de que o serviço possa ficar mais elitizado, com maior desistência de pedidos por parte da classe C, que hoje já é mais intolerante a pagar taxas altas.
Apenas 16,4% dos consumidores manteriam a mesma frequência de uso caso os pedidos fiquem mais caros.
Diferenças por espectro político
O levantamento identificou diferenças no comportamento de consumidores conforme o espectro político. Entre os consumidores de esquerda, a maior parte aceita pagar valores entre R$ 4,99 e R$ 8,49 nos pedidos atualmente. Somente 3,5% aceita valores acima dos R$ 12, o menor percentual entre os respondentes.
Entre os eleitores de direita, o maior destaque é a parcela que não paga taxa de entrega (19,8%). Nas faixas intermediárias, os índices são semelhantes aos da esquerda. Do total, 5,6% afirmam pagar mais de R$ 12.
Crescimento de pagamentos parcelados
Outro levantamento do iFood indicou que os pagamentos parcelados via cartão de crédito na plataforma mais do que duplicaram entre dezembro e janeiro em relação aos dois meses anteriores. O total chegou a 1,3 milhão de pedidos.
Inicialmente, o iFood Pago estava disponível para compras de mercados e farmácias. A modalidade foi ampliada para os restaurantes. A companhia afirma que o parcelamento reforçou a ideia de necessidade de crédito por parte dos consumidores. Os clientes têm por hábito a diluição de custos para viabilizar compras e manter o equilíbrio do planejamento financeiro mensal.




