Coaf aponta R$ 43 milhões em movimentações de escritório ligado a Ibaneis

Relatório indica transações entre escritório do governador e empresa investigada; oposição pede apuração e bloqueio de bens

Por Henrique Carmo | Atualizado em

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que a movimentação financeira envolvendo seu antigo escritório de advocacia é lícita e está devidamente registrada em contratos juntados aos processos.

Mesmo assim, um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras aponta que o escritório movimentou cerca de R$ 43 milhões em transações com um fundo ligado à Reag Investimentos, empresa que está sob investigação por suspeitas de irregularidades no sistema financeiro.

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Segundo o documento, foram identificadas duas operações realizadas em novembro de 2023: uma no valor de R$ 32,5 milhões e outra de R$ 10,3 milhões. Os repasses ocorreram antes da deflagração da Operação Compliance Zero e da liquidação de instituições ligadas ao caso.

As transações envolveram o escritório particular de Ibaneis e o fundo Laguz I, administrado pela Reag e atualmente sob gestão da Planner Corretora. As movimentações são consideradas atípicas e constam no relatório do Coaf, órgão responsável por monitorar e prevenir crimes como lavagem de dinheiro.

Outro ponto sob análise é um contrato firmado em maio de 2024 entre o escritório de advocacia de Ibaneis e outro fundo da Reag, o chamado “Reag Legal Claims”, atualmente denominado Pedra Azul FIDC. Nesse acordo, foram cedidos cerca de R$ 38 milhões em honorários advocatícios ainda não recebidos, em uma operação de antecipação de crédito.

Política

Na Câmara Legislativa do Distrito Federal, parlamentares da oposição pediram a abertura de investigação pelo Ministério Público. O deputado Fábio Felix solicitou apuração por possível improbidade administrativa e pediu o bloqueio de bens do governador.

Defesa

De acordo com a defesa, Ibaneis está afastado do escritório desde 2018, quando assumiu o governo, e não participou das negociações. Já o escritório informou que recebeu cerca de R$ 4 milhões da operação e que o contrato seguiu parâmetros legais.

Banco Master

A Reag Investimentos entrou na mira da Polícia Federal por suspeitas de estruturar fundos usados em operações financeiras irregulares, incluindo possíveis esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.

A empresa também é investigada em outra operação de grande porte, que apura o uso de fundos de investimento por organizações criminosas.

Além disso, o caso ocorre em meio à tentativa do Banco de Brasília de adquirir o Banco Master, operação que acabou barrada pelo Banco Central, após a instituição pública já ter injetado bilhões de reais na tentativa de aquisição.

Para a oposição, o conjunto das informações levanta suspeitas de possíveis irregularidades, incluindo enriquecimento ilícito, prejuízo aos cofres públicos e eventual uso de informação privilegiada. Já o governador mantém que todas as operações são legais e devidamente documentadas.

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