A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo nomeou três coronéis para integrar o Conselho de Justificação que decidirá sobre a permanência do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto na Polícia Militar. O oficial está preso desde 18 de março. Ele responde por feminicídio da soldado Gisele Alves Santana e por fraude processual. A soldado foi encontrada morta em 24 de fevereiro no apartamento onde o casal morava, na capital paulista.
Os coronéis Adalberto Gil Lima Mendonça, Carlos Alexandre Marques e Marisa de Oliveira foram designados para compor o colegiado. Os nomes constam em resolução publicada no Diário Oficial de São Paulo em 31 de março.
Mendonça atua no Comando de Policiamento de Área Metropolitana 7 (CPA/M-7). Marques trabalha no Copom (Centro de Operações da Polícia Militar). Oliveira é do CPA/M-7, com atuação na região leste da capital paulista.
O Conselho de Justificação tem prazo para acontecer de 30 dias, prorrogáveis por mais 20 dias. O procedimento administrativo militar visa determinar se há necessidade de perda de posto e patente do oficial.
Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido. Ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital, mas a morte foi constatada às 12h04 do mesmo dia.
O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado. O registro foi alterado pela Polícia Civil para “morte suspeita” após depoimento da mãe da vítima. A mãe da soldado prestou depoimento à polícia relatando que o relacionamento da filha com Rosa Neto era “extremamente conturbado”. Ela afirmou que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta. Ele proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume. Cobrava-a rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.
O corpo de Gisele foi exumado no dia 6 de março e passou por nova perícia e exames complementares. O laudo pericial apontou que o corpo tinha “lesões contundentes” na face e na região cervical provocadas por pontas de dedos. Havia escoriação compatível com a pressão de unhas.
A ocorrência é investigada pelo 8º Distrito Policial (Brás) e pela Corregedoria da Polícia Militar. As investigações ainda estão em andamento.
Rosa Neto foi preso em São José dos Campos (SP) no dia 18 de março. Está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. A Justiça de São Paulo negou o pedido liminar para soltar o tenente-coronel.
Em 2 de abril, Rosa Neto foi colocado na reserva da Polícia Militar, com salário integral, após pedido à corporação. Na estrutura militar, a reserva equivale à aposentadoria voluntária. O agente pode ser convocado em situações excepcionais de necessidade da PM.
O salário bruto do oficial é próximo de R$ 21 mil, mas chegou a R$ 34,6 mil em janeiro, com bonificações.
Durante o prazo estabelecido, o tenente-coronel terá direito a defesa enquanto os coronéis concluem se ele será punido. A decisão dos coronéis será levada à Justiça Militar. No Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, será acatada ou não as penas descritas pelo colegiado da corporação.
Em depoimento, Rosa Neto afirmou que foi até o quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O oficial disse ter declarado à esposa que “ainda a amava, mas entendia ser melhor a separação porque o relacionamento não estava funcionando”. A esposa se levantou de forma “exaltada”, o mandou sair do quarto e bateu a porta.
O tenente-coronel declarou ter ouvido um barulho cerca de um minuto após entrar no banho. Ao abrir a porta, teria visto Gisele no chão, ferida na cabeça e segurando a arma de fogo. Ele disse ter acionado o resgate, a Polícia Militar e ter ligado para o amigo desembargador.
No dia 11 de março, o tenente-coronel negou ter matado a esposa e declarou ter a consciência tranquila. “As pessoas têm inventado coisas, estou sendo atacado impiedosamente por inverdades. Não tenho nada para inventar ou mentir, trabalho com a verdade”, disse, em entrevista à TV Record.
O advogado de Rosa Neto declarou estar “estarrecido” pela prisão preventiva do cliente ter sido mantida nas justiças comum e militar. No dia 19 de março, Eugênio Malavasi ressaltou que o cliente colabora com as autoridades competentes desde o início das apurações.
Leia mais: Ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman volta a responder por homicídio em Brumadinho




