O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, anunciou neste sábado (21/02) que deixará o comando da corporação. A saída ocorre para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela Lei Eleitoral. Ulisses disputará uma vaga de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado pelo Partido Liberal (PL).
A Lei Eleitoral determina que ocupantes de determinados cargos públicos se afastem de suas funções pelo menos seis meses antes do pleito. Ulisses acumula 22 anos como servidor de carreira na polícia catarinense.
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O delegado comunicou o afastamento por meio de publicação no Instagram. O policial atuou 19 anos como delegado de polícia. Ocupou o cargo de delegado-geral por três anos e dois meses, após ser escolhido pelo governador Jorginho.
“Depois de 22 anos como servidor de carreira, 19 anos como delegado de polícia e 3 anos e 2 meses como delegado-geral, escolhido pelo Governador Jorginho, vou me dedicar a uma nova empreitada, agora como pré-candidato a Deputado Estadual pelo PL”, escreveu Ulisses em sua publicação nas redes sociais.
Procedimento do Ministério Público
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) abriu um procedimento preparatório em 10 de fevereiro para investigar a conduta do delegado. A ação avalia se existem elementos para abertura de processo contra Ulisses. O órgão recebeu representações que questionam possível abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual ato de improbidade administrativa.
O procedimento preparatório não constitui ainda um inquérito. A principal suspeita sob análise é que o delegado-geral teria divulgado informações do caso que estariam sob sigilo. Essa conduta configuraria beneficiamento por informação privilegiada ou risco à segurança da sociedade e do Estado.
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A movimentação acontece em momento no qual o nome de Ulisses Gabriel ganhou projeção nacional. O delegado ficou em evidência nas últimas semanas devido ao caso da morte do cão comunitário Orelha na Praia Brava, em Florianópolis. O episódio gerou repercussão e colocou o policial no centro de questionamentos sobre sua atuação.
Resposta do delegado
Ulisses Gabriel afirmou não ter sido notificado sobre o procedimento aberto pelo Ministério Público. “Estou absolutamente tranquilo e confio na atuação do Ministério Público. Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação”, declarou o delegado.
O policial entende que a decisão do MPSC decorre de declarações dadas em conversa com jornalistas. Segundo sua avaliação, as informações recebidas e divulgadas em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público.
