Nesta quinta-feira (29/01) se comemora o Dia da Visibilidade Trans no Brasil, data criada pelo Senado Federal em 2004 em prol da “luta pelo fim da violência, da discriminação e dos retrocessos em direitos de cidadania” para pessoas transexuais, travestis e não-binárias.
No Brasil, são muitas as pessoas trans em evidência na vida civil, na arte e até na política. São casos como os das deputadas Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG), da cantora Liniker, da cartunista Laerte Coutinho, do ator e ex-vereador Thammy Miranda, e da modelo Roberta Close.
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Mesmo assim, o Brasil ainda é – há 18 anos consecutivos – o país que mais mata pessoas trans, e continua o sendo mesmo se considerarmos apenas incidentes onde a motivação do crime foi a transição de gênero da vítima. Ainda hoje, figuras em posições de poder e com vasta influência utilizam de suas plataformas para disseminar ódio contra uma das minorias mais desprotegidas do planeta; muitas vezes, por mera questão de ignorância.
Para muitos, há a ideia de que a existência de pessoas trans é um “fenômeno moderno”, uma consequência cultural de determinados movimentos políticos. Tanto a história quanto a ciência, porém, refutam esta crença. A própria biologia não trata as noções de “gênero” (identidade) e “sexo” (genética) como sendo a mesma palavra; além disso, registros de pessoas que, de alguma forma, “mudaram de gênero” existem desde a Idade Média.
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A história da humanidade tem contribuição íntima e decisiva de pessoas trans. Veja alguns nomes famosos:
Alberta Lucille / Alan L. Hart (1890 – 1962)
Alan Hart – conhecida também pelo seu ‘nom de plume‘ Alberta Lucille – foi uma mulher de vários talentos: ela era escritora, romancista, física, radiologista e também autoridade na pesquisa sobre tuberculose no seu tempo.
Também foi Hart a pioneira no uso da fotografia em raio-X para detectar tuberculose em pacientes, procedimento este que já existia, mas não era utilizado com frequência. Em 2021, a revista Scientific American descreveu Hart como alguém que “salvou inúmeras vidas após transicionar em 1917”.
Marsha P. Johnson (1945 – 1992)
Figura central na Revolta de Stonewall em 1969, uma das mais memoráveis manifestações contra a violência policial na história dos Estados Unidos. Além de co-fundar o STAR (Ação Revolucionária para Travestis em Situação de Rua), que organizava moradias para jovens LGBTQ+ sem-teto, Johnson também foi uma proeminente ativista em campanhas de conscientização e prevenção da AIDS.
Lilly (1967) e Lana (1965) Wachowski
Lilly e Lana, conhecidas como “irmãs Wachowski”, são cineastas, roteiristas e produtoras americanas transgênero. O grande marco das irmãs na sétima arte é a franquia “Matrix” – que, inclusive, foi explicada por elas anos depois como sendo uma alegoria para a transição de gênero.
Lilly e Lana também estiveram por trás de “Speed Racer”, “Cloud Atlas”, e da série “Sense8”, da Netflix, cujo cancelamento gerou um dos maiores protestos de fãs que a plataforma já havia visto.
Sarah McBride (1990)
Assim como o Brasil tem Erika Hilton e Duda Salabert, os Estados Unidos têm Sarah McBride. A ativista e política filiada ao Partido Democrata foi a primeira senadora estadual trans da história do país, tendo sido eleita pelo estado de Delaware em 2020.
Entre 2016 e 2021, McBride atuou como Secretária Nacional de Imprensa da Campanha de Direitos Humanos; em 2024, ela anunciou sua candidatura para o que seria o equivalente à Câmara dos Deputados dos EUA, e foi eleita em 2025. Além de atuar em causas sociais, especialmente ligadas a pautas LGBTQ+, McBride também integrou comitês parlamentares de Relações Exteriores, de Accountability, e de Ciência, Espaço e Tecnologia.
