Donos de academia são indiciados após morte por intoxicação em piscina

Polícia apura uso irregular de produtos químicos e ausência de protocolos de segurança; caso é tratado como homicídio com dolo eventual

Por Redação TMC | Atualizado em
Fachada da unidade da C4 Gym no Parque São Lucas
Fachada da unidade da C4 Gym no Parque São Lucas (Divulgação/)

A Polícia Civil de São Paulo indiciou, nesta quarta-feira (11/02), os três proprietários da academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, na Zona Leste da capital, pelo crime de homicídio com dolo eventual. A decisão ocorre após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, que passou mal depois de uma aula de natação no último sábado (07/02).

Além da vítima fatal, outras seis pessoas relataram sintomas de intoxicação após frequentarem a piscina da academia. Algumas precisaram de internação hospitalar, incluindo um homem e um adolescente de 14 anos, que foram encaminhados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

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O que significa dolo eventual

No direito penal, homicídio com dolo eventual ocorre quando a pessoa não tem a intenção direta de matar, mas assume o risco de que sua conduta possa provocar a morte.

Há diferença entre:

  • Dolo direto: quando existe intenção clara de matar;
  • Dolo eventual: quando o agente prevê o risco de morte e, mesmo assim, decide agir;
  • Culpa: quando não há intenção nem aceitação do risco, mas o resultado ocorre por negligência, imprudência ou imperícia.

Segundo a investigação, os proprietários teriam assumido o risco ao permitir a manipulação inadequada de produtos químicos utilizados no tratamento da água da piscina.

Suspeita de liberação de gases tóxicos

De acordo com o inquérito policial, há indícios de que a aplicação incorreta de substâncias químicas em ambiente fechado e com pouca ventilação tenha provocado a formação de uma nuvem tóxica, que teria sido inaladas por alunos e funcionários.

O manobrista responsável pela manutenção da piscina afirmou em depoimento que recebia orientações sobre o uso dos produtos por meio de mensagens enviadas pelos proprietários, apesar de não possuir qualificação técnica para realizar o procedimento.

Relatos de frequentadores e de um ex-professor da academia indicam que o cheiro forte na área da piscina e sintomas como irritação na pele, ardência no nariz e dificuldade para respirar já teriam sido percebidos anteriormente.

Leia mais: Manobrista fazia manutenção de piscina onde mulher morreu por intoxicação

Pedido de prisão e próximos passos

O delegado responsável pelo caso solicitou à Justiça a prisão dos três proprietários, citando a gravidade dos fatos e possíveis falhas nos protocolos de segurança.

Com o indiciamento concluído, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que irá analisar se apresenta denúncia formal à Justiça.

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