Após morte de passista no RJ, entenda riscos de procedimento de impermeabilização de estofados

A passista Marielly da Silva de Oliveira, de 25 anos, morreu após um incêndio em seu apartamento em maio deste ano

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Foto: Jesus Arias/ Pexels

Especialistas alertam para os riscos do procedimento de impermeabilização de estofados, que pode causar acidentes graves pelo tipo de produto inflamável utilizado. A passista Marielly da Silva de Oliveira, de 25 anos, morreu após um incêndio em seu apartamento em maio deste ano.

A jovem não havia sido informada sobre os riscos dos gases liberados no procedimento. Ela tentou ligar o fogão para preparar café quando o apartamento pegou fogo, pelo contato do gás de cozinha com os vapores da impermeabilização.

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Paulo Roberto Mattos da Silva, de 62 anos, era um dos profissionais que realizavam o serviço no apartamento e também morreu no acidente. Ao todo, seis pessoas ficaram feridas com a explosão.

Em 2019, um caso similar aconteceu em Curitiba. Um menino de 11 anos foi arremessado do sexto andar do prédio quando o apartamento em que estava explodiu e pegou fogo. Segundo análise do Corpo de Bombeiros, havia um acúmulo de gás em ambiente fechado por conta do equipamento de impermeabilização de estofados que foi usado. 

O gerenciador de risco Gerardo Portela explica a existência desse risco de explosão e ressalta a importância de realizar o procedimento em área aberta e arejada. 

“A principal causa de explosões durante a impermeabilização de sofás é que alguns produtos utilizados nesse tratamento são à base de solventes inflamáveis. Na hora em que o produto é aplicado, esses solventes e particulados acabam se espalhando pelo ambiente e vão se acumulando vapores inflamáveis numa área confinada, que é uma sala, um apartamento, um quarto, um cômodo de um imóvel. Então a maneira de evitar que essa atmosfera explosiva se forme é manter uma circulação de ar muito efetiva, ou seja, janelas bem abertas e portas abertas”, explicou.

Wallace Santos, dono da empresa Clean Line que trabalha com estofados, recomenda que não se contrate serviços feitos com produtos inflamáveis, mesmo que de forma supostamente segura. 

“É fundamental que você pergunte à empresa ou ao prestador de serviço se o produto que ele utiliza é inflamável ou não. E se a resposta for sim, cancele o serviço imediatamente. Ele pode argumentar dizendo que toma todas as medidas de segurança e que o serviço é seguro, mas se for inflamável não faça, porque um leve acidente pode acabar destruindo uma vida. E mesmo que não tenha um acidente fatal, pode acabar destruindo a sua casa, o seu apartamento inteiro, colocando em risco algo que você demorou anos para poder construir”, disse.

Wallace reitera que nem todas as empresas fazem uso desses produtos e é possível fazer o procedimento de forma segura sem produtos inflamáveis.

Marielly era passista da Acadêmicos do Cubango e permaneceu três semanas internada, mas não resistiu aos seus ferimentos. Ela era engenheira de formação pela UFF e uma figura querida pela comunidade da escola de samba.

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