Ao Vivo TMC
Ao Vivo TMC
InícioBrasilMP apreende R$ 2,4 milhões em dinheiro e criptomoedas...

MP apreende R$ 2,4 milhões em dinheiro e criptomoedas em operação contra corrupção na Sefaz-SP

Ação realizada na Delegacia Regional Tributária do Butantã, na zona oeste da capital paulista, é desdobramento de investigações sobre esquema de liberação irregular de créditos de ICMS

O Ministério Público de São Paulo apreendeu R$ 2,4 milhões em dinheiro vivo e criptomoedas durante operação realizada na Delegacia Regional Tributária do Butantã. A ação ocorreu na última terça-feira (10/02) na zona oeste da capital paulista e representa um desdobramento das investigações sobre esquema de corrupção na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) relacionado à liberação irregular de créditos de ICMS.

A operação resultou na apreensão de US$ 68 mil (equivalentes a R$ 354 mil) e R$ 288 mil em espécie. Promotores bloquearam ainda criptoativos avaliados em R$ 1,8 milhão mantidos em bitcoins.

Acesse o canal da TMC no WhatApp para ficar sempre informado das últimas notícias

O esquema investigado envolve auditores fiscais que facilitavam indevidamente a liberação e aumento de créditos tributários para empresas mediante pagamento de propinas. As investigações identificaram um mecanismo fraudulento para inflar artificialmente créditos e reduzir impostos devidos ao estado.

A Operação Ícaro começou em agosto de 2025, quando foram presos auditores fiscais estaduais, incluindo Artur Gomes da Silva Neto e Alberto Toshio Murakami. Na ocasião, também foram detidos temporariamente o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, executivo da Fast Shop, posteriormente liberados.

Os principais alvos da investigação são os auditores Gomes Neto e Paulo Murakami, que ocupavam posições estratégicas na Sefaz-SP. Gomes Neto permanece detido em Potim, interior paulista, e é apontado pelo MP como operador central do esquema, suspeito de ter recebido mais de R$ 1 bilhão em propinas. Murakami está foragido e teve seu nome incluído na Rede de Difusão Vermelha da Interpol.

Todo o material apreendido será submetido a perícia para identificar a origem dos recursos e possíveis conexões com o esquema. Os promotores encontraram indícios da existência de milhões de reais em criptomoedas associados aos dois auditores fiscais, com suspeita de que a aquisição desses ativos digitais tenha sido utilizada para ocultar valores provenientes de propina.

O MP-SP não divulgou informações sobre outros possíveis envolvidos ou se novas operações serão realizadas nos próximos dias. O caso segue sob sigilo judicial.

No início de fevereiro de 2026, Sidney Oliveira foi denunciado pelo MP-SP por corrupção. A defesa do empresário não se manifestou sobre as acusações. Em paralelo, os proprietários da Fast Shop, Milton Kazuyuki Kakumoto e Júlio Atsushi Kakumoto, junto com o diretor da rede, Mario Otávio Gomes, firmaram acordos de não persecução penal com a promotoria. Eles assumiram envolvimento no esquema e deverão restituir R$ 100 milhões aos cofres públicos.

Conforme apurado pelos investigadores, o esquema explorava brechas na portaria CAT 42/2018, que estabelece procedimentos para devolução de créditos tributários. O processo, naturalmente demorado e técnico, teria sido manipulado pelos fiscais para oferecer facilidades indevidas a empresas como a Ultrafarma.

De acordo com os investigadores, os pedidos de ressarcimento dos créditos fiscais seguiam as regras da portaria CAT 42/2018, que estabelece um rito técnico e demorado para a devolução de créditos tributários.

Gomes Neto, que ocupava posição estratégica na Diretoria de Fiscalização, autorizava a cessão dos créditos a terceiros, permitindo transformar o ressarcimento em liquidez imediata. Murakami emitia pareceres técnicos favoráveis que viabilizavam a liberação dos valores. Para o MP, os créditos obtidos ilegalmente funcionavam como um ativo financeiro, ampliado artificialmente e posteriormente comercializado após receber o deferimento administrativo pelos auditores envolvidos no esquema.

A Delegacia Regional Tributária do Butantã, onde ocorreu a operação, é uma unidade da Sefaz-SP responsável pela fiscalização, arrecadação e gestão de tributos estaduais como ICMS, IPVA e ITCMD na região oeste da capital paulista.

Leia mais: Daniel Vorcaro depõe à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado após o Carnaval

MAIS LIDAS

Notícias que importam para você

Pai se desespera após filha ser baleada em tentativa de assalto no Rio de Janeiro; veja vídeo

Pai se desespera após filha ser baleada em tentativa de assalto no Rio de Janeiro; veja vídeo

Valentina da Costa Eraclito dos Santos está internada na emergência pediátrica do Hospital da Posse, sob cuidados intensivos, em estado gravíssimo
Pessoas participam do bloco de carnaval de Calvin Harris, em São Paulo

São Paulo reforça segurança para Carnaval com mais câmeras e agentes após tumulto em bloco

Prefeitura amplia contingente da GCM e implementa monitoramento com câmeras e drones após incidente no bloco do DJ Calvin Harris que resultou em dezenas de atendimentos médicos
O que se sabe sobre o caso do funcionário do governo de Itumbiara que atirou contra os filhos

O que se sabe sobre o caso do funcionário do governo de Itumbiara que atirou contra os filhos

Polícia investiga caso do secretário de governo de Itumbiara (GO), que atirou contra seus dois filhos e tirou a própria vida na noite de quarta-feira
Prefeitura de SP multa empresas por áreas VIP em calçadas durante pré-carnaval

Prefeitura de SP multa empresas por áreas VIP em calçadas durante pré-carnaval

A imobiliária Housi e o restaurante Sujinho receberam multas da Prefeitura de São Paulo por fecharem calçadas e cobrarem...