Nesta quarta-feira (01/07), o Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, recebe o depoimento especial da filha de Gisele Alves Santana. A audiência dá início à etapa de coleta de provas no processo sobre a morte da soldado de 32 anos da Polícia Militar de São Paulo, encontrada sem vida em 18 de fevereiro em um apartamento no centro da capital.
O acusado é o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que responde por feminicídio e fraude processual. Seu interrogatório foi agendado para 3 de julho, data que encerra a instrução e na qual ele será o último a prestar declarações.
“Todos os depoimentos até agora estão confirmando que Gisele foi vítima de um feminicídio e ocorreu uma fraude processual. Ela [filha] presta um depoimento de forma especial amparada pela lei. Ela é acompanhada por uma psicóloga e nós fazemos as perguntas e a psicóloga repassa à ela. A expectativa é ela repassar tudo o que ela presenciou no convívio do réu com a vítima”, disse advogado da família da vítima, José Miguel da Silva.
Cinco dias, 42 testemunhas
A instrução se estenderá por cinco dias, durante os quais serão ouvidas 42 testemunhas indicadas tanto pela acusação quanto pela defesa. No primeiro dia, além da filha de Gisele, outros familiares da vítima devem comparecer. Para 2 de julho, estão convocados policiais militares e demais testemunhas do caso.
O processo chegou à 5ª Vara do Júri da capital após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar, em abril, sua tramitação na Justiça comum, afastando a competência da Justiça Militar. Caso o juiz reconheça materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, o tenente-coronel enfrentará um tribunal popular.
O que dizem os laudos
De acordo com laudos necroscópicos e de pós-exumação, o disparo que vitimou Gisele partiu de uma arma encostada à têmpora direita, em trajetória ascendente. A perícia identificou ainda marcas de sangue no banheiro do apartamento. Segundo o despacho do juiz militar, “A reprodução simulada e a perícia (…) identificaram luminol positivo no box, paredes, piso e registros do banheiro usado pelo investigado, toalha rosa com reação positiva e bermuda jeans dele com padrão de gotejamento latente, tudo em frontal contradição com a versão de que não teve contato com o sangue nem manipulou a cena. Ainda, a reconstrução tridimensional do ambiente concluiu que, da porta do banheiro, não era possível visualizar o corpo na posição registrada nas fotos de chegada dos socorristas, com ou sem a árvore de Natal na sala, contrariando a narrativa do investigado”.
A hipótese de suicídio foi descartada pelos investigadores. Em seu despacho, o juiz militar concluiu: “O mosaico probatório, portanto, afasta a hipótese de suicídio e indica que Gisele foi abordada por trás, com mão esquerda do agressor na mandíbula/face e arma na mão direita dirigida à têmpora direita; após o disparo, o corpo foi deposto ao chão, houve escoamento sanguíneo e manipulações subsequentes (inclusive posição da arma na mão), com limpeza/banho do autor, sendo o investigado a única pessoa com ela antes do fato e o primeiro a intervir na cena, o que robustece a autoria em seu desfavor”.
Comportamento relatado por colegas
Colegas de farda de Gisele descreveram uma convivência conjugal marcada por ciúmes e comportamento controlador. Esses relatos indicam que o tenente-coronel aparecia no local de trabalho dela sem atribuição funcional.




