Alvo de megaoperação nesta quinta-feira (27/11), o Grupo Fit tem longo histórico de sonegação de impostos, com dívidas bilionárias, e já havia sido citado na Operação Carbono Oculto, que atingiu postos de combustíveis pelo Brasil e alcançou até fundos na Avenida Faria Lima. O grupo também é conhecido por ser proprietário da primeira refinaria privada do Brasil.
A Operação Poço de Lobato foi deflagrada na manhã desta quinta com mandados de busca e apreensão em 190 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas em seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia e Maranhão.
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De acordo com a Receita Federal, o grupo teria movimentado mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimento e offshores — incluindo uma exportadora fora do Brasil — para ocultar e blindar lucros.
O Grupo Fit, ainda segundo a Receita, mantém relações financeiras com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, realizada em agosto. No mês seguinte, o Fit foi investigado na Operação Cadeia de Carbono, desdobramento da ação anterior da Polícia Federal e que reteve quatro navios contendo cerca de 180 milhões de litros de combustível.
Por causa da operação, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Receita determinaram a interdição da Refinaria de Manguinhos após “constatar diversas irregularidades, entre elas a suspeita de importação com falsa declaração do conteúdo (gasolina importada declarada como derivados de petróleo para industrialização), ausência de evidências do processo de refino e indícios de uso de aditivos químicos não autorizados pela regulamentação, pois alteram as características do produto e podem indicar tentativa de adulteração do produto vendido ao consumidor”, informou a Receita Federal.
Na ocasião, a ANP apontou que a refinaria estaria importando combustíveis praticamente prontos, como gasolina e diesel. E concluiu que a Refit, novo nome da empresa, não estaria refinando combustíveis.
No âmbito da Operação Carbono Oculto, o Ministério Público de São Paulo apontou que a Rodopetro, do mesmo grupo, sucedeu atividades de esquema criminoso do PCC no setor de combustíveis, segundo o site Metrópoles. A Rodopetro teria substituído o grupo Copape/Aster, de Mohamad Mourad, considerado um dos líderes do PCC, na distribuição de combustíveis a partir de julho de 2024.
Acusações de sonegação
O Grupo Fit, que é liderado pelo empresário Ricardo Magro, é apontado como o maior devedor de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias ou Serviços) do Estado de São Paulo. É ainda o segundo maior do Rio e um dos maiores da União. Os débitos superam R$ 26 bilhões.
Em nota, a Receita Federal afirmou que o grupo “é o maior devedor contumaz do País”, sem trazer maiores detalhes sobre as dívidas.
Primeira Refinaria privada do Brasil
O grupo é proprietário da Refinaria de Manguinhos, rebatizada como Refit. A empresa faz parte da história do petróleo brasileiro, idealizada em 1945 na época de Getúlio Vargas.
No embalo da campanha “O petróleo é nosso”, a refinaria iniciou suas operações em 14 de dezembro de 1954. Após diversas mudanças de comando ao longo das últimas décadas, o controle acionário foi adquirido pelo Grupo Andrade Magro em 17 de dezembro de 2008, através da Grandiflorum Participações, por R$ 7 milhões.
Com a compra, o Grupo também adquiriu suas subsidiárias Manguinhos Química e Manguinhos Distribuidora. A partir da aquisição do Grupo Magro, foram investidos mais de R$ 100 milhões na modernização de seu parque de refino e de tancagem.
História inspirou nome da operação
A operação deflagrada nesta quinta, batizada de Operação Poço de Lobato faz referência ao primeiro poço de petróleo descoberto no Brasil, no bairro de Lobato, na cidade de Salvador. Descoberto em 21 de janeiro de 1939, marcou o início da exploração de petróleo no país, apesar de não ter sido comercialmente viável à época.
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