A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou para os riscos que a intensificação dos conflitos no Oriente Médio representa para a economia brasileira. O Conselho de Infraestrutura da entidade (Coinfra) avalia que a continuidade da guerra pode elevar os custos de produção industrial no país.
O fechamento do Canal de Ormuz e o envolvimento de Estados Unidos, Israel e Irã no conflito já provocaram reação nos preços internacionais de energia.
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O petróleo tipo Brent atingiu US$ 100 por barril. O índice JKM, referência para o gás natural liquefeito (GNL) no mercado asiático, avançou aproximadamente 50%. Esses movimentos nos preços internacionais afetam diretamente os custos de energia.
O fechamento do Canal de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás, afetou a dinâmica dos mercados globais. O envolvimento de potências regionais e internacionais no conflito ampliou a volatilidade dos preços desses insumos energéticos.
No Brasil, os reajustes contratuais devem ocorrer a partir de 1º de maio de 2026. Diversos contratos de fornecimento de gás natural serão revisados nessa data. A CNI informou em nota que “como esses contratos costumam ser reajustados a cada três meses, com base na média dos últimos 90 dias, a tendência é que a alta recente seja repassada gradualmente aos custos internos, especialmente se o conflito persistir”.
A situação atinge toda a economia brasileira. Setores intensivos em energia como química, siderurgia, petroquímica, cerâmica e vidro estão entre os mais expostos aos efeitos da alta. O agronegócio também pode ser impactado pelo encarecimento de fertilizantes, que utilizam gás natural como insumo fundamental.
O país possui 178 usinas termelétricas a gás natural. Essas instalações somam aproximadamente 19 mil MW de capacidade instalada. Esse volume representa 60% da geração térmica e cerca de 9% da matriz elétrica total do Brasil.
Uma parcela relevante dos contratos de gás natural utilizados pela indústria é indexada ao Brent. O combustível destinado às termelétricas segue o JKM.
Não há informações sobre a duração do conflito no Oriente Médio. A extensão temporal da guerra determinará a intensidade do repasse de preços aos contratos brasileiros. Também não está definido se haverá reabertura do Canal de Ormuz.
Caso a guerra continue pressionando os preços internacionais, a recomposição dos contratos que serão reajustados a partir de 1º de maio de 2026 tende a incorporar a alta recente. Isso intensificaria o impacto sobre os custos industriais. A entidade avalia que “com o encarecimento do combustível, a produção de energia tende a ficar mais cara, o que pode se refletir nas tarifas”.
A CNI aponta que a volatilidade no mercado internacional de GNL eleva a percepção de risco em projetos ainda não contratados. Isso afeta especialmente aqueles que dependem do combustível para viabilização em leilões como o de Reserva de Capacidade (LRCAP). Decisões de investimento e a expansão da oferta de energia no país podem ser prejudicadas.
Na avaliação do Coinfra, a alta adicional provocada pelo conflito pode agravar a perda de competitividade da indústria nacional. O setor já convive com custo elevado de gás natural em comparação internacional. Segundo a CNI, um conflito geopolítico, mesmo ocorrendo em região distante, pode rapidamente atravessar oceanos e chegar à conta de energia, à produção industrial e, no fim da cadeia, ao bolso do consumidor brasileiro.
O presidente do Coinfra/CNI, Alex Dias Carvalho, defendeu a adoção de medidas para mitigar os efeitos da escalada de preços. “É hora de discutirmos medidas para minimizar a eventual alta desses insumos, a fim de proteger os consumidores e a economia brasileira, garantindo a manutenção da competitividade da indústria”, afirmou.
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