O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, enganou diversos investidores. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (29/01). Na mesma entrevista, o ministro confirmou que deixará o cargo em fevereiro, após acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em viagem à Índia.
Haddad comentou sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. A medida resultou em ressarcimento de R$ 40,6 bilhões aos credores pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
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“Tem muita gente que foi envolvida de boa-fé. Imaginava que ali tratava-se de um grande empresário, um banqueiro emergente. O cara [Vorcaro] levou muita gente no bico. Quem agiu de má-fé tem de responder“, declarou Haddad.
O ministro também mencionou o papel do Supremo Tribunal Federal no caso. “É uma questão interna do STF, que, conforme eu disse, pode sair grande desse episódio todo se agir com a altivez que o caso merece, porque é um caso grave”, afirmou.
Durante a entrevista, Haddad confirmou sua saída do governo. “Eu não posso dar uma data sem combinar com o presidente, mas ele está informado que deixo o governo em fevereiro, com certeza”, disse o ministro.
A saída acontecerá após sua participação na comitiva presidencial que viajará para Nova Délhi entre 19 e 21 de fevereiro, período posterior ao Carnaval. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu na quarta-feira (28/01) que Haddad seja candidato a governador de São Paulo nas eleições deste ano.
Sobre a possibilidade de o atual secretário-executivo, Dario Durigan, assumir o Ministério da Fazenda, Haddad fez uma defesa enfática de seu número 2.
“É uma pessoa que trabalhou na Casa Civil nos primeiros governos do PT. Trabalhou na Prefeitura de São Paulo, na minha gestão. E trabalhou no Ministério da Fazenda. Ele sempre serviu a governos progressistas. Ele ter passado pelo mercado é um ponto para o Dario. Significa que ele traz para o setor público o conhecimento também de como funcionam setores relevantes da economia mundial. E ele tem um conhecimento abrangente, é uma pessoa de formação muito sólida”, afirmou.
O ministro ressaltou, porém, que a escolha do novo titular da pasta é prerrogativa exclusiva do presidente Lula.
Haddad também abordou o tema dos supersalários no funcionalismo público. Ele defendeu a aprovação de regras para combater vencimentos que ultrapassam o teto do funcionalismo, fixado em aproximadamente R$ 46 mil mensais.
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“Acredito que tem uma dinâmica do sistema de justiça de criar regras. Pega o caso dos supersalários. A Constituição é clara sobre o teto salarial, mas aí vale só para o Executivo. Sou a favor de organizar isso. Até porque você ganha credibilidade perante a opinião pública“, declarou.
Sobre a política monetária, após a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira (28/01), o ministro afirmou: “É papel do Banco Central fazer conta. A taxa de juros que vai começar a cair está em um patamar que é incompatível com a estabilidade da dívida”.
