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Justus descobre que Master era sócio oculto em sua construtora desde 2023

Empresário criticou falta de transparência sobre identidade dos cotistas do fundo SH FIP; anonimato de investidores em fundos é permitido na lei

O empresário Roberto Justus descobriu que o Banco Master era sócio de sua empresa de construção desde 2023 apenas após a deflagração da operação Carbono Oculto. A revelação ocorreu em 28 de agosto do ano passado, quando a investigação expôs que a instituição financeira era a única cotista do fundo SH FIP Multiestratégia, que detinha participação na Steelcorp, companhia especializada em casas modulares com aço.

Justus também foi surpreendido ao saber que o BRB (Banco de Brasília) tornou-se seu novo sócio recentemente, fato que desconhecia. Durante dois anos, a identidade do cotista único do fundo permaneceu em sigilo, situação permitida pela legislação da CVM, que autoriza o anonimato de investidores em fundos.

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A empresa foi fundada em julho de 2023 como Dry Service Construction. Três meses depois, a companhia assinou um bônus de subscrição de R$ 75 milhões ao SH FIP, garantindo 30% de participação no negócio. A Steelcorp tem como sócios Roberto Justus (majoritário), a Potenza Administração e Empreendimentos, do empresário Marcelo Pieruzzi, e o SH Fundo de Investimentos.

Em julho de 2024, quando a construtora passou a se chamar Steelcorp, foram protocolados documentos que oficializavam João Carlos Falbo Mansur, ex-CEO da Reag, como conselheiro de administração independente. Neste momento, a empresa reconheceu em seu capital social a integralização dos R$ 75 milhões aportados pelo fundo SH, além dos R$ 2 milhões de Justus e Pieruzzi.

“Não, a Reag nunca foi sócia. Foi apenas administradora e gestora de um fundo, a qual eu fui muito agradecido na época porque a empresa estava começando. Tanto que você pode ver que no capital social era bem relevante a participação deles, a empresa ainda era muito uma startup“, declarou Justus.

O empresário criticou a falta de transparência sobre a identidade dos cotistas. “É um erro [não divulgarem o nome dos cotistas]. Eu nunca entendi por que não podia saber quem eram os cotistas do fundo. E a Reag, por mais que as pessoas não acreditem, na época era muito compliance lá dentro. Os caras eram muito sérios com isso. Eu falava, ‘João [Mansur], eu não quero uma sociedade onde eu não sei com quem falar. Então, você faz um favor para mim? Vem você representar o fundo no meu conselho, pelo menos, para eu ter um sócio relevante'”, afirmou.

Em setembro de 2024, a Steelcorp apresentou formulário ao Cade anunciando formalmente a entrada do Banco Master na companhia. O aval do órgão demorou cerca de três meses, período considerado incomum para análises que não indicam concentração de mercado.

“Eu nunca entendi por que demorou tanto, mas no fim foi bom para mim, porque depois disso, já terminou o ano de 2024, começou 2025, ele [Vorcaro] já estava em outras negociações, não sei se com o BRB [Banco de Brasília], e a atenção dele desviou. Eu não conseguia quase falar com o cara e ele ia protelando, protelando, falando ‘vamos, vou converter’, ‘vou fazer’, ‘pode deixar’, ‘vou fazer’, e nunca fez. Chegou o momento em que desfizemos o contrato”, relembra Justus.

Justus chegou a negociar com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do Banco Master, para alavancar sua empresa. A transação seria realizada por meio do fundo Dynamic, pertencente a Vorcaro, mas não se concretizou.

“Eu pressionei muito para ele entrar, muito. Ele não tinha nada, era um banqueiro agressivo, que eu conhecia, um menino super do bem, eu conheço ele desde pequeno. Então assim, é um cara que eu nunca imaginei que pudesse entrar numa confusão dessa, ele investiu em muitas empresas de amigos meus”, disse o empresário.

O patrimônio líquido do fundo SH ultrapassa R$ 526 milhões, incluindo os R$ 75 milhões investidos na Steelcorp. A transferência desses recursos ainda não foi realizada, segundo dados da CVM. Atualmente, os 10% da Steelcorp que pertencem ao fundo SH estão sob controle do BRB, banco que tentou comprar o Master no ano passado, mas foi impedido pelo Banco Central em setembro.

Sobre a liquidação do fundo SH, Justus manifestou surpresa: “Eu vou ser bem sincero, eu não sabia que eles tinham feito [a liquidação], eles não poderiam ter feito sem autorização minha. Eles só podiam, pelo acordo de acionistas, transferir para entidades do mesmo grupo econômico, não poderia transferir para um outro fundo sem a autorização do sócio majoritário, que era eu. Então eu denunciei até o acordo de acionistas, nem isso mais está de pé.”

Em janeiro deste ano, Justus aportou R$ 300 milhões na Steelcorp para retomar 90% da participação na empresa. O empresário, hoje com 70 anos, construiu sua carreira no mercado publicitário após fundar o Grupo Newcomm na década de 1980, um dos maiores conglomerados de publicidade do país. A partir dos anos 2000, ganhou notoriedade com o reality show O Aprendiz e como apresentador de programas da Record.

“Vou fazer contato com os caras na hora certa e ver se eles querem seguir. Se eles não quiserem, eu posso até recomprar a parte deles, para eles não terem nenhum prejuízo. Não tenho interesse em prejudicar ninguém, mas também não quero prejudicar o meu negócio. Eu não quero ter sócios tóxicos no meu negócio”, afirmou.

Leia mais: PF vê indícios de envolvimento de políticos em investigação do Master, diz jornal

Para futuros negócios, Justus indicou cautela quanto a novos parceiros do setor financeiro: “Se eu fizer algum outro movimento, procurar sócio estratégico, não quero mais ninguém do mercado financeiro. Quero fazer negócio com gente que possa ajudar a alavancar ainda mais a nossa empresa.”

As defesas de Daniel Vorcaro e João Carlos Mansur foram procuradas, mas não comentaram o caso. A Reag também não se manifestou sobre o assunto.

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