Marco Aurélio de Carvalho, consultor jurídico de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, confirmou que o filho do presidente viajou a Portugal em novembro de 2024 com Antônio Camilo, conhecido como Careca do INSS. A declaração foi dada nesta segunda-feira (16/03). Camilo é um dos principais investigados no esquema de fraudes envolvendo aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social.
Esta é a primeira vez que a defesa reconhece publicamente a relação entre Lulinha e o empresário investigado. O convite para a viagem partiu de Antônio Camilo. O objetivo era visitar uma fábrica de produtos de cannabis medicinal, segundo explicou Carvalho.
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Lulinha conheceu Camilo por intermédio de Roberta Luchsinger. A empresária é amiga próxima dele e de sua esposa, Renata. A visita à fábrica para conhecer o processo de extração de canabidiol foi motivada por curiosidade pessoal de Lulinha, afirmou o advogado.
“Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal”, declarou Carvalho em entrevista ao GloboNews Mais.
O consultor jurídico afirmou que nenhuma parceria comercial foi estabelecida entre Lulinha e Antônio Camilo após a visita à fábrica. Lulinha não arcou com os custos da viagem a Lisboa. Carvalho disse desconhecer se quem financiou o deslocamento foi o próprio Careca do INSS ou a empresa portuguesa visitada.
A defesa sustenta que Lulinha não teve participação nas fraudes investigadas. O filho do presidente não tinha conhecimento das irregularidades praticadas. Lulinha também não recebeu recursos desviados de aposentadorias e pensões do INSS, segundo o advogado.
Investigações da Polícia Federal e da CPMI
Antônio Camilo está preso desde setembro de 2025. Ele é suspeito de envolvimento em desvios de aposentadorias. As irregularidades são objeto de investigação pela Polícia Federal. A corporação deflagrou a Operação Sem Desconto em abril de 2025.
O caso também é investigado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. A CPMI foi instalada no Congresso Nacional. O filho do presidente teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Polícia Federal em janeiro de 2026. A CPMI do INSS também quebrou os sigilos no final de fevereiro deste ano.
A quebra de sigilo aprovada pela comissão parlamentar foi suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. O plenário da Corte ainda não analisou o caso.
A investigação da Polícia Federal identificou cinco transferências de trezentos mil reais cada. O total soma um milhão e quinhentos mil reais. Os valores foram transferidos de uma empresa de Antônio Camilo para uma empresa de Roberta Luchsinger. A empresária é amiga de Lulinha. Roberta é considerada uma das melhores amigas de Renata, esposa do filho do presidente.
Em mensagens de WhatsApp obtidas pela investigação, o lobista foi questionado por um ex-sócio sobre um dos pagamentos de trezentos mil reais destinados a Roberta. Camilo respondeu que o valor era “para o filho do rapaz”. A mensagem não menciona expressamente a identidade dessa pessoa. O advogado Marco Aurélio de Carvalho nega que a referência seja a Lulinha.
Um ex-funcionário de Antônio Camilo prestou depoimento à Polícia Federal. Ele afirmou que o lobista informava à sua equipe que pagava uma mesada de trezentos mil reais para Lulinha. Segundo essa testemunha, o objetivo da suposta mesada seria que o filho do presidente auxiliasse uma das empresas de Camilo, a World Cannabis, a comercializar produtos de canabidiol para o Ministério da Saúde.
O depoimento desse ex-funcionário levantou a suspeita de que os pagamentos registrados em nome da empresária Roberta Luchsinger pudessem, na realidade, ter sido direcionados a Lulinha. Em outro trecho da investigação, a própria Roberta trocou mensagens com Antônio Camilo. Ela menciona que “acharam um envelope com o nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”.
A empresária se referia a uma operação anterior realizada pela Polícia Federal. O envelope continha o nome de “Fábio” e ingressos para um show. Camilo respondeu à mensagem com a expressão “Putz”. Na sequência, a empresária escreveu: “Antônio, some com esses telefones. Joga fora”.
A defesa de Lulinha sustenta que as quebras de sigilo não trouxeram elementos que possam comprometê-lo nas irregularidades investigadas pela CPMI do INSS.
Advogado nega recebimento de valores
O advogado Marco Aurélio de Carvalho negou nesta segunda-feira (16/03) que seu cliente tenha recebido recursos financeiros de Antônio Camilo, o Careca, ou da empresária Roberta Luchsinger. Ambos são investigados no esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews.
Marco Aurélio de Carvalho negou que Lulinha tenha atuado como lobista junto ao Ministério da Saúde ou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segundo o advogado, não houve intermediação para venda de canabidiol ao governo federal.
“A quebra de sigilos não trouxe nenhum fato que pudesse comprometer o Fábio em qualquer dos malfeitos que estão sendo investigados pela CPMI do INSS. Fábio não tem relação direta ou indireta com nada que tenha a ver com INSS”, afirmou o advogado.
A defesa reforçou que as investigações não apontam envolvimento de Lulinha com as fraudes apuradas. Carvalho sustentou que os dados bancários não apresentam qualquer irregularidade que possa comprometer seu cliente.
Movimentação de R$ 19,5 milhões em contas bancárias
Na semana passada, a quebra de sigilo bancário de Lulinha mostrou movimentações de R$ 19,5 milhões em suas contas bancárias. O período analisado vai de janeiro de 2022 a janeiro de 2026. O montante engloba entradas, saídas e transferências realizadas entre contas do próprio Lulinha. Os dados foram apresentados no âmbito das investigações conduzidas pela CPMI.
Entre as movimentações identificadas, constam três depósitos que Lulinha recebeu do pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os valores foram transferidos em 2022 e 2023. O total soma R$ 721 mil.
Também foram registradas 17 transferências que Lulinha realizou para Jonas Suassuna, um ex-sócio. O montante totaliza R$ 704 mil no período analisado. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que todas as transações bancárias de seu cliente foram regulares. Segundo a defesa, a quebra de sigilo demonstrou que Lulinha não recebeu recursos desviados do INSS.
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