O mercado de apostas esportivas consolidou-se, no último ano, como novo gerador de empregos formais no Brasil. Levantamento da LCA Consultores e da Cruz Consulting, encomendado pela ANJL e pelo IBJR, aponta que mais de 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos foram criados em 2025.
As contratações vão além das áreas tradicionais de marketing e atendimento. O setor abriu espaço para profissionais de tecnologia, estatística, análise de dados, gestão de risco, design de produto e desenvolvimento de sistemas, além de especialistas em prevenção a fraudes e controles internos. Ao todo, foram formalizadas 67 novas ocupações ligadas à cadeia das apostas.
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O perfil das vagas indica maior qualificação: 53% dos trabalhadores têm ensino superior, e 63,8% recebem mais de quatro salários mínimos — proporção acima da média nacional. Apenas os empregos diretos geram cerca de R$ 460 milhões por ano em massa salarial, além de R$ 87 milhões em encargos sociais.
“Ainda há uma lacuna significativa na formação de profissionais especializados no ecossistema de apostas, sobretudo em áreas como trading esportivo, compliance regulatório e operação de plataformas. Muitos dos talentos estão sendo adaptados de setores adjacentes — como fintechs, streaming e agências digitais. Vejo que esse movimento reflete uma estratégia natural de amadurecimento do setor, que está deixando de ser um ‘nicho’, para assumir uma postura de grande player do entretenimento, o que exige perfis mais diversos e com bagagem de liderança”, explica Marco Túlio, CEO da Ana Gaming.
Demanda por profissionais cresce
Dados da consultoria Michael Page mostram que, ainda no segundo semestre de 2024, houve aumento de 37% na procura por profissionais para o segmento. Empresas passaram a buscar executivos com experiência em tecnologia, finanças, marketing digital e gestão de riscos, refletindo a profissionalização acelerada do setor.
Relatório da consultoria Regulus Partners indica que o Brasil deve encerrar 2025 como o 5º maior mercado de apostas do mundo, com receita estimada em US$ 4,1 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões). A expectativa é de crescimento adicional de 20% em 2026, o que pode ampliar ainda mais o número de contratações.
Além dos empregos diretos, o setor também movimenta cadeias ligadas a tecnologia, publicidade, meios de pagamento e serviços especializados. Estudo aponta que cada R$ 1 investido pode gerar até R$ 3,74 em demanda adicional em outros segmentos da economia.
“O setor das apostas esportivas é importante para a economia brasileira, pois, em que pese a falta de divulgação pública, paga impostos vultosos acima de 30% do faturamento das empresas. Ainda, gera empregos e investe altas quantias no esporte nacional. A regulamentação do segmento, em especial a atuação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, foi importante para a consolidação desse mercado no país. É imprescindível que as autoridades públicas estejam engajadas no combate aos operadores ilegais, que prejudicam todo o setor e, principalmente, os usuários das plataformas”, afirma Pietro Cardia Lorenzoni, diretor jurídico da ANJL e sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado no setor de betting.
Desafio do mercado ilegal
Apesar do avanço na geração de vagas, a expansão do mercado clandestino limita parte do potencial de crescimento. Estudo do Instituto Esfera, coordenado pelo professor da USP Luís Fernando Massonetto, indica que o mercado ilegal já responde por 41% a 51% do setor, com receitas estimadas entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões.
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Segundo o levantamento, a concorrência de plataformas irregulares — que oferecem menos exigências ao consumidor e prêmios maiores — pode reduzir arrecadação e inibir investimentos formais, impactando também a criação de empregos.
Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 78% dos apostadores têm dificuldade em identificar se uma plataforma é legalizada, o que facilita a migração para o circuito clandestino.
