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Covid-19 mata 1,7 mil brasileiros em 2025 mesmo após cinco anos de vacinação no país

Dados da Fiocruz revelam 10.410 casos graves da doença no último ano, com baixa adesão à imunização preocupando autoridades sanitárias

O Brasil contabilizou aproximadamente 1,7 mil óbitos por Covid-19 em 2025, mesmo após cinco anos do início da campanha de imunização contra a doença no país. Os dados foram divulgados pela plataforma Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta sexta-feira (23/01). O monitoramento também identificou 10.410 pessoas que desenvolveram quadros graves após infecção pelo coronavírus no último ano.

A baixa adesão à vacinação preocupa as autoridades sanitárias. Das 21,9 milhões de doses distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios em 2025, apenas 8 milhões foram efetivamente aplicadas na população, representando menos de 40% do total disponibilizado.

Crianças entre os mais vulneráveis

As crianças menores de 2 anos constituem o segundo grupo mais suscetível às complicações da Covid-19, ficando atrás apenas dos idosos. Entre 2020 e 2025, a plataforma Infogripe registrou cerca de 20,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave nessa faixa etária, com 801 mortes confirmadas.

Em 2025, mesmo com a doença teoricamente sob controle, ocorreram 55 óbitos e 2.440 internações de crianças nessa faixa etária. Do total de imunizantes utilizados no ano passado, 2 milhões foram destinados ao público infantil, mas a cobertura vacinal entre crianças menores de um ano atingiu apenas 3,49%, conforme o painel público de vacinação.

O Ministério da Saúde reconhece limitações nos dados disponíveis. Em nota, a pasta afirmou que “os dados atuais subestimam a cobertura real: o painel apresenta apenas a aplicação em crianças menores de um ano, enquanto o público-alvo inclui crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais” e que “está desenvolvendo a consolidação dos dados por coorte etária”.

Vacinação abaixo da meta

Desde 2024, a vacina contra a Covid-19 foi incluída no calendário básico de vacinação para crianças, idosos e gestantes, além de grupos especiais que devem receber reforços periódicos. Mesmo durante o período de emergência sanitária, a meta de 90% de cobertura vacinal não foi alcançada.

A vacinação infantil, iniciada em 2022, atingiu apenas 55,9% das crianças de 5 a 11 anos e 23% das crianças de 3 e 4 anos até fevereiro de 2024. Em 2022 e 2023, o Brasil aplicou mais de 6 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 em crianças, com registro de poucos eventos adversos, sendo a maioria de natureza leve.

Leonardo Bastos, coordenador do Infogripe, alerta que o coronavírus continua sendo uma ameaça: “A Covid não foi embora. De tempos em tempos a gente tem surtos e avalia constantemente se esses surtos crescem, se eles podem se transformar em uma epidemia. O que a gente vê hoje de número de casos e mortes ainda é algo absurdo. Mas, como a gente passou por um período surreal na pandemia, o que seria considerado alto, acaba sendo normalizado”.

Riscos adicionais para crianças

Além das complicações respiratórias, as crianças podem desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), uma condição rara associada à Covid-19 que apresenta taxa de letalidade de aproximadamente 7%. O Brasil registrou cerca de 2,1 mil casos dessa síndrome entre 2020 e 2023, com 142 óbitos.

Um estudo realizado na Inglaterra com quase 14 milhões de crianças e adolescentes mostrou maior incidência de doenças cardiovasculares como miocardite e tromboembolismo após a infecção pela Covid-19. Por outro lado, um acompanhamento com 640 crianças e adolescentes vacinados com Coronavac em São Paulo demonstrou que apenas 56 contraíram o vírus após a imunização, nenhuma com quadro grave.

A pesquisadora Tatiana Portella, da plataforma Infogripe, reforça a importância da vacinação contínua: “A gente pode ter uma nova onda a qualquer momento com o surgimento de uma nova variante, que pode ser mais transmissível, infecciosa, e não tem como prever quando que vai surgir essa nova variante. Por isso que é importante que a população sempre esteja em dia com a vacinação”.

Percepção de risco e desinformação

Para Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, a baixa adesão à vacinação está relacionada principalmente à diminuição da percepção de risco pela população. “O ser humano é movido pela percepção de risco. O Brasil foi um dos primeiros países que atingiram uma cobertura maior de 80% para toda a população adulta. Mas quando a vacina chegou para as crianças, o cenário era outro, com menos casos, menos mortes e a percepção de risco tinha diminuído. Aí o antivacinismo começa a fazer efeito. Porque as fake news contra a vacina só dão certo quando as pessoas não estão vendo o risco”, argumenta.

Ela também alerta sobre a disseminação de informações falsas: “Infelizmente nós temos médicos renomados, que sempre defenderam as vacinas, agora dizendo que nem todas as vacinas. Por trás disso há muitos interesses, políticos, financeiros, de vários tipos. E entre um médico que você já conhece e alguém que você ainda não conhece, em quem você vai confiar? Mas nós que defendemos as vacinas temos todas as evidências científicas pra provar o que a gente diz”.

Esquema vacinal contra Covid-19

O esquema vacinal varia conforme o grupo populacional. Bebês devem receber a primeira dose aos 6 meses, a segunda aos 7 meses e, caso tenham tomado a vacina da Pfizer, uma terceira dose aos 9 meses. Para crianças imunocomprometidas, o esquema inclui três doses iniciais e reforços semestrais.

Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades seguem o esquema básico similar ao das demais crianças, mas com dose de reforço anual. Gestantes devem receber uma dose a cada gravidez, enquanto puérperas (até 45 dias após o parto) precisam ser vacinadas caso não tenham recebido a dose durante a gestação. Idosos a partir de 60 anos necessitam de uma dose a cada seis meses.

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