O número de mortes violentas de pessoas LGBT+ no Brasil caiu 12% em 2025, totalizando 257 casos entre homicídios, latrocínios e suicídios. Os dados foram divulgados neste domingo (18) pelo Observatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), que realiza este levantamento há 45 anos com base em notícias da imprensa e correspondências enviadas à organização.
A quantidade de mortes em 2025 retorna ao mesmo patamar observado em 2023, quando também foram registrados 257 casos, após um aumento para 291 ocorrências em 2024. Os números atuais representam uma morte de pessoa LGBT+ a cada 34 horas no país.
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Do total de vítimas, 156 eram gays, 46 mulheres trans, 18 travestis, 9 bissexuais, 4 lésbicas, 3 homens trans e 3 heterossexuais – estes últimos foram mortos por serem confundidos com pessoas LGBT+ ou por defenderem membros da comunidade.
A região Nordeste concentrou o maior número de casos (66), à frente do Sudeste (48) e Centro-Oeste (33). Em 84 ocorrências não houve informação sobre a região. São Paulo (19), Bahia (17) e Minas Gerais (17) foram os estados com mais registros. Entre as capitais, São Paulo teve 6 mortes, Salvador 5, enquanto Manaus, Goiânia e Belo Horizonte registraram 4 casos cada.
Os homicídios correspondem a 80% dos casos documentados, seguidos por suicídios (8%) e latrocínios (7%). Em cerca de 60% das ocorrências não há informação sobre o meio utilizado para o crime. Armas de fogo foram empregadas em 15% das mortes, enquanto armas brancas, como facas, foram utilizadas em 14% dos casos.
Luiz Mott, fundador do GGB e doutor em antropologia, afirma que o Brasil lidera o ranking mundial de mortes de pessoas LGBT+, seguido por México (40) e Estados Unidos (10).
Sobre a diminuição no número de mortes, Mott descarta a influência de políticas públicas específicas. “Como explicar a queda de 12%? Não é por conta de políticas públicas, infelizmente. O governo atual fala muito e defende a população LGBT, há leis que assimilaram a homofobia ao racismo, mas não há políticas específicas para proteção da comunidade”, afirma.
O antropólogo sugere que a própria comunidade pode estar adotando mais precauções. “Uma explicação é que as pessoas têm ouvido as nossas informações para tomar mais cuidado, não levar desconhecidos para dentro de casa, evitar lugares de maior risco. É uma maior cautela da própria comunidade e, outro motivo, é uma variação inexplicada de ano para ano, mesmo. Crimes que não tem lógica que permitam a previsibilidade”, explica.
O GGB, considerada a mais antiga ONG voltada para a causa LGBT+ na América Latina, alerta para a subnotificação dos casos devido à “falta de sistematização estatal e de financiamento público para a pesquisa”. A organização descreve seu estudo como “a ponta visível de um iceberg de ódio e sangue”.
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A entidade também destaca as dificuldades na coleta de dados: “Mesmo com esse esforço, muitas matérias jornalísticas e registros policiais omitem informações cruciais sobre orientação sexual, identidade de gênero, cor/raça e detalhes do modus operandi dos assassinos. Tal omissão dificulta uma análise mais precisa da violência enfrentada pelos diferentes segmentos da comunidade LGBT+”, afirma o Grupo Gay da Bahia.
Mott defende que o governo federal realize estudos para mapear esses crimes e desenvolva políticas públicas específicas para a proteção da comunidade.
