MPSP afasta vice-prefeito e prende 2 auditores em operação contra fraude fiscal

Ação em Osasco (SP) resultou no afastamento de Frederico Marquezim e 4 agentes fiscais, com cumprimento de 20 mandados de busca em 4 cidades

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Reprodução/MPSP)

O Ministério Público de São Paulo deflagrou uma operação contra um esquema de corrupção, fraudes tributárias e lavagem de dinheiro instalado na Delegacia Regional Tributária 14, em Osasco (SP). A ação ocorreu na manhã desta sexta-feira (13/3) e resultou no afastamento do vice-prefeito de Tupi Paulista, Frederico Marquezim, e de quatro agentes fiscais de renda. Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária na capital paulista, em Osasco, Valinhos e Tupi Paulista.

A Operação Mágicos de Oz foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos do MPSP. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, também do MPSP, participou da ação, além das Polícias Civil e Militar.

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As investigações identificaram uma organização estruturada. O grupo usava pessoas interpostas para que agentes públicos recebessem propina. Depois, os valores ilícitos eram movimentados e o patrimônio era ocultado.

Desdobramento da Operação Ícaro

A Operação Mágicos de Oz representa um desdobramento das apurações iniciadas com a Operação Ícaro. Aquela operação foi deflagrada em agosto de 2025 e prendeu Sidney Oliveira, proprietário da rede de farmácias Ultrafarma.

Na ocasião, foi descoberto um suposto esquema de corrupção envolvendo fraude bilionária em créditos de ICMS. A operação resultou em seis prisões e apreensão de milhões em dinheiro e bens. Entre os itens apreendidos estavam relógios de luxo e esmeraldas.

Prisões e apreensões da Operação Ícaro

Artur Gomes da Silva Neto foi identificado como principal operador do esquema. Ele é auditor e supervisor da Diretoria de Fiscalização da Fazenda estadual paulista. Teria recebido mais de R$ 1 bilhão em propina.

Sidney Oliveira foi preso em uma chácara em Santa Isabel, na Grande São Paulo. Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop, foi detido em um apartamento na zona norte da capital.

Marcelo de Almeida Gouveia, auditor da Secretaria da Fazenda que auxiliava Artur nas negociações com a Fast Shop, foi preso com R$ 330 mil em espécie. Com ele foram encontrados US$ 10 mil e 600 euros.

Celso Éder Gonzaga e Tatiana de Araújo foram presos em Alphaville, na região metropolitana. Com o casal foram encontrados R$ 1,2 milhão, R$ 200 mil em criptomoedas e US$ 10.700. Também foram apreendidos relógios avaliados em R$ 8 milhões e 1.590 euros.

O MPSP cumpriu 19 mandados de busca e apreensão durante a Operação Ícaro. Além dos valores sequestrados com os detidos, foram retidos R$ 73 mil e US$ 13 mil com uma das contadoras envolvidas no esquema.

Funcionamento do esquema

O auditor Artur Gomes da Silva Neto estava no centro do esquema. Ele mantinha contato direto com os empresários. Teria recebido propina por meio de uma empresa em nome de sua mãe, uma senhora de 73 anos.

O esquema consistia na emissão de créditos de ICMS inflacionados. Funcionava ao menos desde 2021.

O Metrópoles entrou em contato, por e-mail, com a Prefeitura de Tupi Paulista para obter um posicionamento sobre o afastamento do vice-prefeito da cidade e aguarda retorno. A Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado também foi procurada. O espaço está aberto para atualizações.

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