A morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, após ser baleada durante uma abordagem policial na Zona Leste de São Paulo, segue sob investigação e cercada por versões conflitantes. Parte do que se sabe até agora vem de imagens de câmera corporal divulgadas pela TV Globo, além de depoimentos de testemunhas, familiares e dos próprios policiais.
As gravações indicam que o retrovisor da viatura atingiu o braço de Luciano Gonçalvez dos Santos, marido da vítima. O policial que dirigia o veículo parou, deu ré e iniciou uma discussão. Na sequência, há um desentendimento verbal, e Thawanna contesta a ação dos agentes, afirmando que o casal havia sido atingido.
Durante a abordagem, a soldado Yasmin desce da viatura e, momentos depois, o disparo é efetuado. As imagens mostram que a equipe entrou na Rua Edimundo Audran por volta das 2h58, que o tiro ocorreu pouco depois, que uma segunda viatura chegou às 3h e que o resgate foi acionado, chegando ao local às 3h30.
Após o disparo, o policial que portava a câmera questiona a colega: “Você atirou? Por quê?”. A policial afirmou que reagiu após ter sido agredida.
O caso é marcado por relatos divergentes. A família da vítima afirma que não houve abordagem prévia e que o tiro foi disparado rapidamente. O marido, Luciano, diz que a viatura passou em alta velocidade e quase atingiu o casal, o que gerou a reação de Thawanna. Ele também relata que tentou demonstrar que não oferecia risco, mas os policiais utilizaram spray de pimenta.
Uma testemunha afirma que a viatura teria sido jogada contra o casal de propósito e que houve agressão física por parte da policial antes do disparo. Segundo esse relato, Thawanna teria reagido após ser agredida.
Já a versão da Polícia Militar aponta que o casal estava no meio da rua e apresentava sinais de embriaguez, que houve discussão e desobediência, e que Thawanna teria avançado contra a policial, iniciando um confronto físico. A agente afirma que sofreu agressões, incluindo um tapa no rosto, e que o disparo ocorreu nesse contexto.
A ocorrência foi registrada no 49º Distrito Policial e encaminhada ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz a investigação. O Ministério Público de São Paulo também instaurou procedimento para apurar o caso, além da abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM).
A soldado responsável pelo disparo foi afastada das funções, teve a arma apreendida e, assim como os demais agentes envolvidos, será ouvida. As investigações incluem depoimentos, análise das imagens das câmeras corporais e laudos periciais.
A morte de Thawanna provocou protestos de moradores em Cidade Tiradentes, com críticas à atuação da Polícia Militar.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que o caso é tratado com “prioridade absoluta”, que eventuais irregularidades serão punidas e que as apurações ocorrem com acompanhamento das corregedorias.
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