O piloto Sérgio Antônio Lopes, acusado de comandar uma organização criminosa de exploração sexual de crianças e adolescentes, atuava há pelo menos oito anos. É o que apontam as investigações da Polícia Civil de São Paulo. A prisão ocorreu dentro de um avião, momentos antes da decolagem de um voo com destino ao Rio de Janeiro.
Iniciada em outubro, a investigação identificou que o esquema envolvia pagamentos por fotos, abuso direto das vítimas e participação de familiares no aliciamento. Os investigadores descobriram uma estrutura organizada com divisão de funções entre os envolvidos.
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A estratégia
O piloto utilizava uma estratégia específica em sua atuação. Inicialmente, aproximava-se de mães, avós ou responsáveis por crianças e adolescentes, fingindo interesse em estabelecer relacionamento afetivo com essas mulheres. Posteriormente, revelava que seu verdadeiro interesse eram os menores, oferecendo compensações financeiras.
O piloto oferecia ajuda com despesas, comprava alimentos, medicamentos e eletrodomésticos, chegando a pagar aluguel para algumas famílias envolvidas no esquema. Os crimes ocorriam em diversos locais, incluindo motéis, para onde levava as vítimas utilizando documentos de identidade falsos em nome de adultos.
Segundo as investigações, Lopes pagava entre R$ 30 e R$ 100 por imagens das vítimas. As transferências eram feitas via Pix, e as fotos enviadas, principalmente, por aplicativos de mensagens.
Por que foi preso no avião?
Sérgio Antônio Lopes tem 60 anos, é casado, possui filhos e mora em Guararema, na Região Metropolitana de São Paulo. A prisão foi realizada após a Polícia Civil solicitar a escala de voos à companhia aérea e planejar a abordagem em Congonhas.
A decisão de efetuar a prisão no aeroporto foi tomada devido à dificuldade em localizar o suspeito em sua residência, já que, como piloto, Lopes viajava constantemente, o que complicava o trabalho dos investigadores.
Avó e mãe de vítimas presas
Além do piloto, outras pessoas foram presas na operação, incluindo a avó de três vítimas, detida temporariamente sob suspeita de aliciar as próprias netas, e a mãe de uma criança, presa em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil.
A investigação identificou, até o momento, 10 vítimas no estado de São Paulo. A Polícia Civil não descarta a possibilidade de que o número seja maior, inclusive com vítimas em outros estados brasileiros.
Acusações
O piloto é acusado de estupro de vulnerável, exploração sexual infantil, favorecimento da prostituição e envolvimento na produção, armazenamento e possível distribuição de material de abuso sexual infantil.
Em nota, a Latam informou que abriu uma apuração interna e afirmou repudiar qualquer ação criminosa e disse que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A companhia também comunicou que o voo para o qual o piloto estava escalado operou normalmente, sem impacto nas operações do aeroporto.
Até o momento, a defesa do piloto e dos demais investigados não foi localizada para comentar as acusações.
