O Rio de Janeiro vive uma situação política rara. O estado está, ao mesmo tempo, sem governador eleito, sem vice-governador e sem presidente da Assembleia Legislativa na linha sucessória. E agora o Supremo Tribunal Federal precisa responder a uma pergunta simples, mas com enorme impacto político: quem deve escolher o próximo governador, os deputados ou os eleitores?
O primeiro ponto para entender essa crise é a origem do problema. O governador Cláudio Castro teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico na eleição de 2022. Ele teria criado mais de 20 mil cargos públicos para que, depois, servissem como cabos eleitorais.
O segundo ponto é a dupla vacância. O vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em maio do ano passado para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Sem governador e sem vice, a Constituição prevê que o próximo da linha sucessória seja o presidente da Assembleia Legislativa.
O terceiro ponto é que essa linha também foi interrompida. O então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi preso e afastado do cargo em uma investigação sobre suspeita de interferência em apurações criminais envolvendo o Comando Vermelho. O resultado foi uma situação incomum: o comando provisório acabou nas mãos do presidente do Tribunal de Justiça do Rio.
O quarto ponto é a disputa sobre como será a sucessão. A Alerj aprovou regras prevendo eleição indireta — o que significa que os próprios deputados escolheriam o governador. Mas o PSD recorreu ao STF defendendo eleição direta, com base no entendimento de que, quando há tempo suficiente até a próxima eleição, o mais democrático é o voto popular.
O quinto ponto é o que realmente está em jogo. Para a população, essa definição é necessária. Urgente. Significa segurança, previsibilidade administrativa. Para a política, significa poder e oportunidade. Quem governar o estado até 2026 terá visibilidade, capacidade de articulação e vantagem no próximo ciclo eleitoral.
O STF vai decidir. E a decisão terá impacto na vida de milhões de pessoas porque não é só uma decisão jurídica. É uma disputa sobre quem controla a máquina pública em um dos estados mais complexos do país, e isso tem reflexos diretos no desenrolar das eleições — que estão aí à porta.