João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos e conhecido no mercado financeiro como empreendedor arrojado, foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (14/01).
A ação, que investiga supostos créditos fraudulentos, cumpre 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
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O Banco Central (BC) identificou uma série de transações consideradas atípicas envolvendo o Banco Master e encaminhou essas informações aos investigadores. As autoridades encontraram movimentações rápidas realizadas por fundos de investimento administrados pela Reag DTVM, originadas de um empréstimo de R$ 459 milhões da instituição financeira de Vorcaro.
Entre as operações sob investigação, uma delas registrou rentabilidade superior a 10,5 milhões por cento em 2024, despertando a atenção dos investigadores. O Fundo Brain Cash, com apenas 20 dias de existência, recebeu R$ 450 milhões provenientes de empréstimo do Master e multiplicou seu patrimônio cerca de 30 mil vezes em uma única transação.
Um aspecto relevante para os investigadores foi que o Fundo Brain Cash, envolvido nas operações suspeitas, tinha apenas um investidor: uma empresa dirigida por uma ex-funcionária da Reag. Esta conexão intensificou as suspeitas sobre a natureza das transações.
Mansur estabeleceu a Reag em 2012, transformando-a em uma das maiores gestoras independentes de fundos do Brasil em poucos anos. A empresa cresceu principalmente por meio da aquisição de mandatos de fundos exclusivos, utilizados para administração de patrimônio e geralmente com apenas um cotista.
A Reag também está sob investigação na Operação Carbono Oculto, que apura um possível esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustível e empresas financeiras, ampliando o escopo das investigações sobre as atividades da gestora.
Além de sua atuação no mercado financeiro, Mansur exerce influência no futebol brasileiro. Ele atua como conselheiro no Palmeiras, gestor das finanças do estádio do Corinthians e articulador de investimentos em clubes como Juventus e Portuguesa, movimentando valores bilionários nesses negócios.
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