O ensino médico no Brasil precisa melhorar e o governo federal está dando um “choque de realidade” para essa evolução, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta quinta-feira (22/01), depois da divulgação do resultado do Exame Nacional de Formação Médica (Enamed), que revelou na segunda-feira problemas em uma série de instituições de ensino.
“Se essas instituições não melhorarem, não vão poder mais fazer vestibular, ampliar e talvez não vão mais funcionar…Se não tiver medidas de melhora e isso não apareça no futuro elas podem ser descredenciadas”, disse Padilha a jornalistas após visitar um hospital federal no Rio de Janeiro.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) divulgados na segunda-feira (19/01), dos 304 cursos de medicina de instituições de educação superior públicas federais e privadas que participaram do Enamed, 204 (67,1%) alcançaram conceito 3 a 5 do Enade, considerados satisfatórios.
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Mas outros 99 cursos (32%) ficaram com notas nas faixas 1 e 2, com menos de 60% dos seus estudantes apresentando desempenho considerado adequado no Enamed.
Padilha disse que no governo anterior houve uma proliferação vertiginosa de vagas em faculdades privadas de medicina sem a devida avaliação da qualidade do ensino.
Segundo o ministro, o Enamed e a avaliação progressiva dos alunos podem contribuir para o avanço na qualidade do ensino. “O ministério está colocando a casa em ordem… O Enamed vai dar um choque de realidade e terapias para cuidar da qualidade da formação médica”, acrescentou.
O resultado do exame está sendo questionado na Justiça pela Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), que afirmou na terça-feira que “condução da edição de 2025 está marcada por inconsistências relevantes”.
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Padilha afirmou ser favorável a um exame de proficiência para que médicos formados possam exercer a profissão e acredita que o Enamed poderia ser exame de ordem para a categoria, mas lembrou que o tema precisa obrigatoriamente ser debatido pelo Congresso Nacional.
Questionado sobre a judicialização do exame, Padilha afirmou que “há espaço para sugestões e justificativas. Mas todas as justificativas até agora na Justiça não deram certo”.
