A 30ª Parada do Orgulho LGBT+ reuniu 36,8 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (07/06). O número foi apurado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento da Universidade de São Paulo (Cebrap-USP) em parceria com a ONG More in Common, com margem de erro de 12%. No pico do evento, às 14h37, o público variou entre 32,3 mil e 41,2 mil pessoas, diz o levantamento.
O resultado representa uma queda em relação aos anos anteriores. Em 2025, o mesmo levantamento estimou 48,7 mil presentes. Em 2024, o número chegou a 73,6 mil. A metodologia, baseada em 27 imagens aéreas tiradas em seis horários distintos, está em uso desde 2022.
Patrocínio em queda livre
A retração financeira foi ainda mais acentuada do que a do público. Segundo Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT, o patrocínio caiu 60% entre 2025 e 2026. Doze marcas bancaram o evento no ano passado. Neste ano, apenas três toparam: Amstel, Grupo L’Oréal Brasil e Philip Morris Brasil.
A perda de recursos se refletiu no número de trios elétricos. Foram 14 trios em 2026, contra 19 em 2025. O fact brief não aponta as razões pelas quais as demais empresas deixaram de patrocinar.
Na prática, menos patrocínio significa menos estrutura para o evento, e pode afetar a capacidade de mobilização nas próximas edições.
Pressão política e tema do ano
A edição deste ano adotou o tema ‘A rua convoca, a urna confirma’, com foco em participação eleitoral e direitos LGBT+. O slogan reflete um contexto de pressão legislativa crescente.
Em maio de 2026, a Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou, em primeira votação, um projeto de lei que tenta proibir a presença de menores em eventos com alusão LGBT+. O mesmo projeto busca impedir a interdição de vias públicas para a realização de eventos como a Parada. O resultado final da votação não havia sido divulgado até a publicação desta matéria.




