Três líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) determinaram a tortura e morte do policial Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, após uma discussão com um traficante na Zona Sul de São Paulo. A informação consta em relatório da Polícia Militar (PM) obtido pela TV Globo nesta segunda-feira (12/1).
O corpo do policial foi encontrado por cães farejadores em um sítio em Embu Guaçu, na região metropolitana paulista, no domingo (11). Ele estava desaparecido desde o dia 7 de janeiro de acordo com a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo).
De acordo com a investigação policial, três chefes do PCC na Zona Sul realizaram uma reunião onde decidiram pela execução do PM, por considerarem que sua presença representava ameaça às operações do tráfico na comunidade. A morte teria supostamente ocorrido na quinta-feira (8/1), quando dois membros da organização criminosa capturaram o policial, roubaram sua arma e o levaram para um bar onde o assassinaram.
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Câmeras de segurança registraram o veículo de Fabrício circulando pela comunidade, seguido por outro automóvel. O carro do policial foi posteriormente encontrado carbonizado em uma área de mata em Itapecerica da Serra.
Ao todo, cinco integrantes do PCC foram identificados como participantes do crime: três mandantes e dois executores. A Polícia Civil ainda não solicitou à Justiça a prisão desses suspeitos, cujos nomes não foram divulgados pelas autoridades.
Quatro pessoas já estão detidas temporariamente: Riclécio Cerqueira de Moraes, traficante que discutiu com o PM; Isaque Duarte da Silva, que conhecia o policial e o entregou aos criminosos; Gleison Santos Dias, responsável por transportar combustível para queimar o veículo; e André Colombo Dias, caseiro do sítio onde o corpo foi localizado.
O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) aponta que o corpo apresentava sinais de tortura e que um traumatismo craniano foi a causa da morte. Exames complementares serão realizados para determinar o que provocou o trauma.
Entenda o caso
Fabrício estava de férias e com o casamento civil marcado para dois dias após o desaparecimento. Após discutir com um traficante em um bar, perto da favela Horizonte Azul, na Zona Sul de São Paulo, ele teria sido morto a mando do crime organizado, de acordo com a polícia. Durante a briga, Fabrício teria falado que era policial.
Um homem teria saído do local e falado aos chefes do tráfico que havia um PM na comunidade, segundo as investigações. Fabrício deixou o bar e os traficantes teriam abordado o homem que o acompanhava e teriam mandado que levassem o PM de volta à favela. O homem confirmou durante depoimento que cumpriu a ordem do crime organizado.
O veículo do policial foi encontrado incendiado na última quinta-feira (08/01). Imagens de câmeras de segurança mostraram o carro do PM sendo seguido por um outro veículo preto. Identificado o dono do carro, a polícia encontrou galões de gasolina em seu veículo na residência do suspeito. Ele confessou ter acompanhado outro homem, que dirigia o automóvel do PM, até uma área de mata para atear fogo ao veículo.
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