Pelo menos 15 ex-secretários de Segurança e ex-chefes de polícias concorrem a cargos eletivos

Lista inclui 7 ex-secretários estaduais, um municipal, 5 ex-chefes da PM e 2 da Polícia Civil que deixaram postos nas últimas semanas

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Pelo menos 15 ex-secretários de Segurança ou ex-chefes das polícias Militar e Civil anunciaram candidaturas para outubro. Levantamento do Globo identificou candidatos em 12 unidades da federação, distribuídos pelas cinco regiões do país. O movimento acontece enquanto a violência se consolida como tema central das eleições.

A lista de candidatos inclui sete ex-secretários estaduais de Segurança, um titular de pasta municipal, cinco ex-chefes da Polícia Militar e dois ex-gestores da Polícia Civil, conforme apuração de O GloboEsses profissionais deixaram seus postos nas últimas semanas para concorrer a cargos eletivos.

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O delegado Felipe Curi (PP) deixou a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro. Curi ganhou visibilidade após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 122 mortes. Ele deve disputar inicialmente uma vaga na Câmara dos Deputados. O nome de Curi é mencionado como alternativa da direita para o Senado devido à inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro (PL).

O coronel Marcelo Menezes (PL) também deixou a Secretaria de Polícia Militar do Rio. Ele concorrerá a deputado estadual.

Marcelo Menezes afirmou que o movimento foi discutido no Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares. Os debates sobre a PEC da Segurança, apresentada pelo governo Lula, motivaram a articulação.

“A PEC suscitou uma necessidade de representatividade dos estados. Gente que pode falar de forma qualificada do assunto, para não sermos embuchados pelo governo federal. Nada mais justo do que dar voz ao segmento”, afirmou Menezes. “Percebemos que nós éramos representados por pessoas que nunca operaram a segurança pública”, completou o militar.

João Trajano Sento-Sé, cientista político e professor da Uerj, apontou que a candidatura de Jair Bolsonaro impulsionou esse perfil de candidatos. “Esse perfil foi alavancado com o barulho da candidatura de Jair Bolsonaro. Foi também toda aquela atmosfera, temas e formas de abordagem. Uma eleição muito esgarçada do ponto de vista ideológico e com forte presença do campo da segurança”, disse Sento-Sé.

Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança de São Paulo e policial militar da reserva, está entre os principais nomes. Derrite ocupou o posto de 2023 até novembro passado no governo Tarcísio de Freitas. Ao sair do governo, reassumiu o mandato de deputado federal para relatar o Projeto de Lei Antifacção, proposto pelo governo federal. Derrite já tinha o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para ser candidato da direita paulista ao Senado.

O ex-secretário possui 1,5 milhão de seguidores no Instagram. Nas postagens, as participações em podcasts e programas de rádio e TV misturam-se a vídeos sobre operações policiais e anúncios de investimentos nas forças. Há também críticas ao governo federal.

Carolina Ricardo, presidente do Instituto Sou da Paz, afirmou: “Foram gestores que desde o dia em que sentaram na cadeira utilizaram o cargo como plataforma política eleitoral. O Derrite, por exemplo, sabia muito bem como usar vídeos produzidos para as redes e como ocupar espaços. Tanto que se afastou mais de uma vez”. A declaração refere-se às ocasiões em que o ex-policial da Rota voltou ao Congresso para relatar projetos ligados à segurança.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não costuma alavancar carreiras políticas. Uma das exceções é o ex-presidente Michel Temer. Ele ocupou a função no governo de Franco Montoro nos anos 80. Em seguida, disputou uma vaga de deputado federal pela primeira vez. Desde o início dos anos 2000 predominam no cargo nomes oriundos do Ministério Público estadual. As exceções recentes são Derrite, egresso da Polícia Militar, e o general do Exército João Camilo Pires.

Derrite atua na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na véspera de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionar o PL Antifacção, Derrite apareceu ao lado do filho do ex-presidente. Flávio anunciava a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública caso eleito. Ele agradecia ao deputado por enviar propostas para o setor. No vídeo, Flávio se dizia preocupado com possíveis vetos de Lula ao projeto. Derrite afirmava que o texto enviado ao Legislativo era “muito fraco” e com “penas brandas”.

Em Rondônia, o coronel Felipe Vital saiu da pasta da Segurança na sexta-feira anterior para disputar uma vaga de deputado estadual. O ex-comandante da Polícia Militar do estado, Regis Braguin, deixou a função em janeiro. Ele também deve concorrer a um cargo eletivo. O governo estadual é liderado por um coronel da Polícia Militar desde 2019. Marcos Rocha (PSD) foi eleito governador naquele ano.

Em Santa Catarina, o ex-delegado-geral Ulisses Gabriel (PL) anunciou em fevereiro que deixaria o cargo. A saída ocorreu em meio a controvérsias sobre sua conduta na investigação do caso do cão Orelha.

Pesquisas recentes indicam que a segurança está entre as principais preocupações da população brasileira. Em março, a Genial/Quaest registrou o tema na primeira posição. Ele aflige 27% da população. A corrupção aparece em segundo lugar, com 20%. Os problemas sociais ficam em terceiro, com 18%.

Na eleição de 2018, 105 profissionais vinculados às forças de segurança se elegeram. No pleito nacional seguinte, o número caiu para 78 eleitos.

Sento-Sé destacou que a tendência de sucesso eleitoral favorece quem está nas hierarquias mais altas das carreiras de segurança. “A tendência a ser bem-sucedido é de quem está acima na pirâmide. Tem a ver com a visibilidade que o cargo traz”, afirmou o professor.

O cientista político observou que o aumento da capacidade de articulação coletiva da categoria impulsiona as candidaturas. Apesar da redução no número de eleitos, o patamar permanece elevado.

Carolina Ricardo avaliou que o perfil dos candidatos que migram da segurança para a política vem se modificando. Ela alertou para o risco de que a pauta seja “usada para fins eleitorais”.

A especialista explica que houve uma mudança no perfil desses candidatos: “Antes, era algo mais corporativo, voltado a questões salariais. Quando olhamos a Comissão de Segurança da Câmara hoje, vemos que é formada majoritariamente por deputados de perfil ideológico, que usam de palanque para as redes, vivem muito de cortes.”

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