Mais da metade dos brasileiros não faz aposta em bets

Levantamento Quaest/Genial mostra que 29% dos entrevistados afirmam ter costume de fazer apostas pela internet

Por Redação TMC | Atualizado em
Homem segurando um tablet com uma BET na tela
(Foto: Freepik)

Três em cada dez brasileiros fazem apostas pela internet, aponta pesquisa realizada pela Quaest/Genial divulgada nesta sexta-feira (17/04). O levantamento sobre apostas esportivas no Brasil ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais.

Os dados mostram que 29% dos entrevistados afirmam ter costume de fazer apostas pela internet. Outros 71% responderam que não apostam. A coleta de informações ocorreu entre 9 e 13 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

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O levantamento analisou o comportamento de apostadores em diferentes grupos da população. A pesquisa considerou critérios como região, sexo, idade, renda, religião e posicionamento político.

A região Sul registrou o maior índice de apostadores do país, com 37% dos entrevistados. No Sudeste, o percentual foi de 29%. As regiões Centro-Oeste e Norte, analisadas em conjunto, apresentaram 27% de apostadores. O Nordeste teve o menor índice, com 25%.

O recorte por sexo revelou disparidade significativa. Entre os homens, 33% afirmam apostar regularmente, enquanto entre as mulheres o percentual cai para 27%. A diferença entre os gêneros é de seis pontos percentuais.

A análise por faixa etária mostrou variação entre os grupos. Pessoas de 16 a 34 anos apresentaram índice de 27% de apostadores. Nas faixas de 35 a 59 anos e de 60 anos ou mais, o percentual foi de 30% em ambos os casos. A legislação brasileira permite apostas esportivas apenas para maiores de 18 anos.

Renda, religião e política

A renda familiar influenciou os resultados: entre entrevistados com renda de 2 a 5 salários mínimos, 32% declararam apostar. O índice foi de 26% entre quem recebe mais de 5 salários mínimos. Entre aqueles com renda de até 2 salários mínimos, o percentual ficou em 24%.

O aspecto religioso também apresentou correlação com o hábito de apostar. Entre evangélicos, 23% afirmaram fazer apostas pela internet, enquanto entre católicos o percentual foi de 34%.

O posicionamento político dos participantes também foi analisado. Entre bolsonaristas, 33% declararam apostar em bets, o maior índice deste recorte. Eleitores independentes apresentaram índice de 31%. A esquerda não-lulista registrou 27% de apostadores. Entre lulistas, o percentual foi de 26%. A direita não-bolsonarista teve o menor índice deste recorte, com 25%.

Leia mais: IBJR rebate Lula e defende bets reguladas como proteção contra crime e perdas bilionárias

Mercado ilegal alimenta o crime organizado

Mesmo com a regulamentação, o mercado clandestino segue como um dos principais desafios, e uma proposta de fechamento total das bets não resultaria em combate efetivo às empresas ilegais. Isso porque elas operam fora do país e à margem do mercado regulado. Estimativas indicam que cerca de metade das operações de apostas no país ainda ocorre de forma ilegal, sem recolhimento de tributos e sem qualquer tipo de fiscalização.

Essa informalidade gera perdas expressivas para o país. Um estudo da TMC, em parceria com o Instituto Esfera, aponta que as receitas desse mercado paralelo estão entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões, cerca de metade de toda a movimentação do setor, o que resulta em uma perda de arrecadação tributária para o Estado brasileiro que pode chegar a R$ 10 bilhões por ano.

Na prática, isso significa que uma eventual proibição das bets regulamentadas poderia ter efeito contrário ao desejado: em vez de eliminar o problema, ampliaria o espaço para operadores clandestinos, dificultando ainda mais o controle estatal.

Além da perda de arrecadação, o mercado ilegal alimenta o crescimento de facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho, que utilizam as empresas clandestinas para lavar dinheiro.

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