Master: PF vê indícios de envolvimento de políticos em investigação, diz jornal

Material apreendido contém referências a lideranças partidárias e altas autoridades, segundo fontes ligadas ao caso

Por Redação TMC | Atualizado em
Logotipo do Banco Master é exibido em prédio da instituição em São Paulo
(Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

A Polícia Federal identificou elementos que apontam para o envolvimento de autoridades com foro especial durante as investigações do Banco Master. O material foi descoberto na operação Compliance Zero, que investiga o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram obtidas nesta sexta-feira (30/01) pelo jornal Folha de Sâo Paulo com fontes ligadas ao caso.

Investigadores localizaram “vários achados” com referências a lideranças partidárias e altas autoridades nos documentos apreendidos e no celular do banqueiro após quebra de sigilos realizada quando Vorcaro foi detido.

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A equipe responsável pela investigação avalia que as menções aos políticos não estão diretamente relacionadas ao inquérito principal, que apura a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Master e a negociação de venda para o Banco de Brasília (BRB).

Operação iniciada em novembro

A operação Compliance Zero começou em 18 de novembro de 2025, mesmo dia em que o Banco Master foi liquidado. A Justiça Federal em Brasília autorizou a primeira fase baseada em evidências de fraudes nas carteiras de crédito consignado.

O caso envolve principalmente Daniel Vorcaro, que construiu uma ampla rede de contatos políticos em Brasília. O ex-banqueiro ficou conhecido por promover encontros em sua mansão na capital federal, estabelecendo conexões que geraram apreensão entre autoridades desde o início das apurações.

Supremo assumiu o caso em janeiro

Em janeiro de 2026, a segunda fase da operação foi realizada por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF. O Supremo assumiu o caso após a defesa de Vorcaro alegar ter sido encontrada uma referência ao deputado João Bacelar (PL-BA), que possui foro privilegiado.

Esta etapa investigou o uso de fundos de investimentos administrados pela gestora Reag para desvio de recursos captados pelo Master com a venda de CDBs.

Ainda não foi divulgado quais políticos, além do deputado Bacelar, estão mencionados no material apreendido pela PF, embora investigadores indiquem que há referências a outros nomes do Congresso.

Possível desmembramento do caso

De acordo com os investigadores, existe a possibilidade de desmembramento do processo. Mesmo que o inquérito sobre a negociação entre BRB e Master seja enviado à Justiça de primeiro grau, a investigação envolvendo políticos permaneceria sob supervisão do STF.

Nas últimas semanas, ministros do Supremo iniciaram articulações para que o caso seja remetido à primeira instância, buscando diminuir a pressão sobre o tribunal, especialmente após revelações sobre conexões de integrantes da Corte com negócios do Master.

Em seu depoimento à PF no final de dezembro, Vorcaro minimizou suas conexões com autoridades: “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, chegou a indicar ao G1 que havia “uma tendência, pelo que se verifica até agora” de que o caso saísse do tribunal. No entanto, com a descoberta de indícios envolvendo políticos com foro privilegiado, o processo pode seguir outro caminho.

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