A Polícia Federal (PF) abriu investigação para apurar se influenciadores digitais receberam pagamento para atacar de forma coordenada o Banco Central (BC) e seus diretores durante o processo de liquidação do Banco Master.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (8/01), após reportagem publicada pelo jornal “O Globo” revelar que pelo menos dois influenciadores de direita foram contatados para divulgar conteúdos críticos à atuação da autoridade monetária.
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A investigação busca identificar quem financiou as possíveis contratações e a origem dos recursos utilizados para disseminar a narrativa de que o BC agiu precipitadamente na liquidação do Master.
As autoridades federais pretendem esclarecer se houve uma estratégia organizada para atacar a instituição nas plataformas digitais.
Segundo a reportagem publicada na quarta-feira (7/01), os influenciadores Rony Gabriel, vereador pelo PL em Erechim (RS), e Juliana Moreira Leite, conhecida nas redes sociais como @jliemilk, foram abordados por agências que trabalham com influenciadores digitais. Ambos possuem 1,4 milhão de seguidores cada e afirmaram ter recusado as propostas.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou um aumento incomum de postagens nas redes sociais no final de dezembro de 2025.
Este período coincide com o momento em que a entidade, junto com outras associações do setor financeiro, divulgou uma nota em defesa da atuação técnica do BC no caso Master.
Em comunicado oficial, a Febraban informou que está avaliando a natureza das publicações. “A Febraban está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”, explicou a instituição.
A nota conjunta divulgada em dezembro, assinada pela Febraban, Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Associação Nacional das Instituições de Crédito, Confederação Nacional das Instituições Financeiras e a associação Zetta, alertava para os riscos de um “cenário gravoso de instabilidade” caso a autoridade técnica do Banco Central não fosse preservada.
A PF deverá prosseguir com as investigações para determinar se houve crime nas ações coordenadas contra o Banco Central e identificar os responsáveis pelas supostas contratações de influenciadores.
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