PMs são denunciados por assassinato de empresário na Pavuna após emboscada no Rio

Sargento e cabo do 41º BPM efetuaram mais de 20 disparos de fuzil contra picape na madrugada de 22 de abril; vítima voltava de pagode com amigos

Por Redação TMC | Atualizado em
(FOTO: Reprodução/Instagram)

O sargento Rafael Assunção Marinho e o cabo Rodrigo da Silva Alves foram denunciados pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) pelo assassinato do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira. O crime ocorreu na madrugada de 22 de abril, na Pavuna, Zona Norte do Rio. Os policiais militares, lotados no 41º BPM (Irajá), respondem por homicídio doloso triplamente qualificado.

Daniel dirigia uma picape na Rua Doutor José Thomas, na altura do acesso ao Conjunto Tom Jobim, região do Complexo da Pedreira, quando foi alvejado. O empresário retornava de um pagode acompanhado de dois amigos e um vizinho. Daniel foi atingido na cabeça e morreu no local. Os outros três ocupantes do veículo não sofreram ferimentos.

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As investigações apontam que os policiais montaram uma emboscada contra o empresário. Imagens de câmeras corporais revelam que os agentes acompanhavam a movimentação de Daniel desde 1h53 da madrugada. Os disparos contra o veículo foram efetuados às 3h06.

Os PMs receberam informações em tempo real sobre a localização da vítima. As apurações indicam que não houve bloqueio, blitz ou ordem de parada ao empresário. A denúncia aponta que o crime foi cometido por motivo torpe, sem que a vítima pudesse se defender.

Policiais efetuaram mais de 20 disparos de fuzil

Os agentes efetuaram mais de 20 tiros de fuzil calibre 7,62 contra a picape. Um dos policiais atirou 13 vezes. O outro disparou 11 vezes.

As gravações das câmeras corporais mostram que um dos suspeitos recebeu, pelo telefone, informações sobre a movimentação do empresário pouco antes dos disparos. “Correto, comandante. Já apareceu aqui o dito cujo”, diz um PM, depois de receber o aviso do informante de que o carro estava indo na direção deles.

Nas gravações, um policial avisa: “Tá descendo o Russo agora!”. Em seguida, um dos agentes avança a pé e dispara contra a caminhonete.

Os policiais alegaram inicialmente que o empresário não obedeceu a uma ordem de parada e teria acelerado na direção dos policiais, “configurando iminente risco à integridade física da equipe”.

As imagens das câmeras corporais dos policiais, obtidas pelo Fantástico, da TV Globo, contradisseram a versão apresentada pelos agentes. Após os disparos, moradores se aproximaram e perguntaram aos agentes o que tinha ocorrido. “Quando a guarnição foi efetuar a abordagem, ele acelerou contra a guarnição”, alegou um dos PMs.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ) e pela 2ª Promotoria de Justiça junto ao I Tribunal do Júri da Capital na quarta-feira (06/05). O Gaesp solicitou o afastamento do sigilo de dados telefônicos e telemáticos dos denunciados. A solicitação inclui a análise dos aparelhos celulares apreendidos no momento em que eles foram presos em flagrante.

O Ministério Público do Rio investiga se há outros PMs envolvidos na emboscada. A investigação busca identificar se policiais de patente superior participaram do crime.

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