Cinco pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro pelo incêndio no subsolo do Shopping Tijuca, na Zona Norte da capital fluminense. O fogo ocorreu em janeiro deste ano. O supervisor de segurança Anderson Aguiar do Prado e a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes morreram durante o combate às chamas.
A investigação da 19ª Delegacia de Polícia identificou falhas de gestão, demora no acionamento do Corpo de Bombeiros e erros nos protocolos de segurança. Outras quatro pessoas ficaram feridas. As investigações e perícias revelaram uma sequência de falhas que teriam provocado as mortes das vítimas.
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“O laudo técnico concluiu que o incêndio teve origem elétrica previsível, em ambiente inadequado do ponto de vista técnico, sendo agravado por falhas estruturais e de segurança”, diz a polícia.
O relatório da investigação apontou instalações elétricas em desacordo com normas técnicas. Havia elevada carga de incêndio, falhas de compartimentação, atuação insuficiente dos sistemas de combate e ausência de controle eficiente de fumaça. Todos esses fatores contribuíram diretamente para a gravidade do incêndio e propagação rápida das chamas, segundo os peritos.
A loja onde o fogo começou não possuía alvará do Corpo de Bombeiros. O shopping não tinha sistema de exaustão adequado para o controle da fumaça.
Demora
O botão de pânico foi pressionado às 18h04. Os bombeiros foram chamados apenas às 18h27. As equipes chegaram ao shopping às 18h40.
A polícia aponta problemas na comunicação após o início do fogo. Houve ausência de alarmes eficazes, evacuação desorganizada, treinamento insuficiente e demora na transmissão de informações precisas sobre o incêndio.
Indiciamentos e acusações
Dois funcionários do shopping foram indiciados por incêndio doloso qualificado pelas mortes, lesão corporal, crime de perigo para a vida ou saúde de terceiros e fraude processual. Uma terceira pessoa vai responder pelos mesmos delitos, exceto a fraude processual. Dois funcionários de uma loja onde o incêndio começou foram indiciados por incêndio doloso e lesão corporal.
Responsáveis pelo shopping permitiram a entrada de pessoas em área interditada. Houve retirada de item importante para a investigação, o que caracteriza fraude processual, segundo a polícia.
Foram ouvidos os depoimentos de 38 pessoas durante a investigação. Sete mil pessoas deixaram o local sem ferimentos.
Posicionamento do shopping
A direção do shopping afirmou que agiu dentro dos protocolos previstos. O estabelecimento retirou as pessoas de acordo com plano elaborado por uma empresa especializada e aprovado pelo Corpo de Bombeiros, segundo nota divulgada. A direção lembra que sete mil pessoas deixaram o local sem ferimentos. O shopping define como irreparável a perda dos dois funcionários.
