Polícia prende Deolane Bezerra em operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC

A investigação aponta que a facção usava uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau (SP) como fachada para movimentar valores milionários

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(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21/05) em uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil que desmonta um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Veja o vídeo do momento que ela chega ao DHPP de São Paulo abaixo.

A investigação aponta que a facção usava uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau (SP), no interior do estado, como fachada para movimentar valores milionários.

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A Operação Vérnix cumpriu 6 mandados de prisão preventiva e bloqueou R$ 357,5 milhões em recursos financeiros. Além disso, 39 veículos avaliados em R$ 8 milhões foram apreendidos. Deolane retornou ao Brasil na última quarta-feira (20/05) após passar semanas em Roma, na Itália.

O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa dela, em Barueri (SP), e em outros endereços ligados a ela.

Veja o momento em que Deolane chegou à delegacia em São Paulo:

Transportadora servia como braço financeiro da facção

Segundo a investigação, a empresa Lopes Lemos Transportes (também conhecida como Lado a Lado Transportes) era controlada pela cúpula do PCC e funcionava como canal para lavar dinheiro da organização criminosa. A companhia aparentava ser uma transportadora comum, mas na prática operava como estrutura financeira da facção.

O operador Everton de Souza, conhecido como Player, foi identificado como responsável por gerenciar as movimentações financeiras do esquema. Ele foi preso durante a operação. Outro operador central, Ciro Cesar Lemos, está foragido junto com a esposa.

Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 através de uma técnica conhecida como smurfing — depósitos fracionados em valores abaixo de R$ 10 mil para evitar rastreamento. Empresas ligadas à influenciadora também receberam R$ 716 mil em 50 depósitos separados.

A investigação identificou que o esquema usava pessoas jurídicas e bens de alto padrão para dar aparência de legalidade aos recursos. Uma empresa de crédito na Bahia, por exemplo, tinha como responsável uma pessoa que recebia apenas 1 salário mínimo por mês, mas movimentava valores incompatíveis com sua renda declarada.

Família de Marcola na mira da polícia

A operação também mirou familiares de Marcola, apontado como líder do PCC. O irmão dele, Alejandro Camacho, foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva. Os dois, que já cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília, serão formalmente comunicados sobre a nova decisão judicial.

Os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho aparecem como intermediários nos negócios ilícitos. A polícia suspeita que Paloma esteja na Espanha e Leonardo na Bolívia. Outro membro da família, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, foi identificado como beneficiário de valores lavados.

Investigação começou em 2019

O caso teve início em 2019, quando a Polícia Penal apreendeu bilhetes e manuscritos de dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha referências a ordens internas do PCC e mencionava uma “mulher da transportadora” e “fechamentos mensais”.

O primeiro inquérito analisou o conteúdo apreendido. O segundo buscou identificar a mulher citada e a relação com a transportadora. Diligências revelaram que a empresa em Presidente Venceslau era uma fachada.

Em 2021, a Operação Lado a Lado expôs movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada da transportadora. O celular de Ciro Cesar Lemos foi apreendido e revelou a dinâmica completa da lavagem de dinheiro.

Influenciador digital também é alvo

Giliard Vidal dos Santos, filho de criação de Deolane e também influenciador digital, foi alvo de mandado de busca e apreensão. A investigação apura se ele participou do esquema ou se seus bens foram usados para ocultar valores.

A Operação Vérnix representa a terceira etapa da investigação conduzida pela Polícia Civil, Polícia Penal e Ministério Público de São Paulo. As autoridades seguem apurando conexões internacionais do esquema e rastreando recursos ainda não localizados.

Leia mais: Irmã de Deolane se manifesta após prisão e fala em “perseguição”

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