A Justiça Federal em São Paulo decidiu manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e de Fabiano Zettel, cunhado dele. A decisão ocorreu nesta quarta-feira (04/03) após audiência de custódia na capital paulista. Os dois foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo.
A Polícia Federal prendeu Vorcaro e Zettel durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Zettel se entregou voluntariamente na Superintendência da PF após a expedição do mandado de prisão. A operação também teve como alvos o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
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A Justiça Federal determinou ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens no montante de até R$ 22 bilhões. O objetivo é interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Transferência para sistema prisional estadual
A Justiça Federal determinou que Vorcaro e Zettel fossem encaminhados diretamente ao sistema prisional estadual. Os dois não retornaram à Superintendência Regional da Polícia Federal, onde tinham permanecido inicialmente.
Os investigados chegaram à Justiça Federal utilizando uma portaria lateral do prédio. O transporte ocorreu em viatura descaracterizada. O deslocamento envolveu três veículos. A saída do prédio ocorreu em um veículo não ostensivo.
Vorcaro e Zettel deixaram a Justiça Federal em direção ao CDP em Guarulhos em uma viatura identificada da Polícia Federal. Os dois foram conduzidos no compartimento traseiro da SUV, espaço similar a um porta-malas. No banco traseiro havia apenas um policial e uma mala.
A Polícia Federal informou que esse tipo de viatura é projetado para esse uso específico. O compartimento traseiro conta com bancos e cinto de segurança e permite o transporte de até sete pessoas. O modelo é adquirido pela corporação já considerando esse tipo de deslocamento.
A PF esclareceu que o transporte no compartimento traseiro segue o procedimento padrão da corporação. Agentes informaram que o protocolo foi seguido integralmente, sem solicitação dos detidos.
Investigação apura fraudes bilionárias
A Polícia Federal investiga a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”. O esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master, configurando fraudes financeiras bilionárias.
O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação como relator do caso. Mendonça assumiu a relatoria no mês passado.
Depoimento na CPI
Vorcaro era aguardado para depor nesta quarta à CPI do Crime Organizado, em Brasília. O dono do Banco Master já havia sinalizado que iria comparecer apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O ministro André Mendonça tinha decidido na terça-feira (03/03) que a ida dele à CPI seria facultativa.
Defesa nega acusações
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele “sempre esteve à disposição das autoridades” e “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”. A defesa negou “categoricamente as alegações atribuídas” ao banqueiro e declarou confiar “que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”. Os advogados reiteraram “sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”.
A assessoria de imprensa de Daniel Vorcaro divulgou nota informando que o empresário declarou, no momento de sua prisão, “que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto.”
A nota acrescentou que Vorcaro segue colaborando com as autoridades competentes e confia que a análise completa das informações esclarecerá definitivamente as interpretações equivocadas que vêm sendo divulgadas.
A defesa de Fabiano Zettel declarou que “em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”.
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