O presidente do CRECI-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), José Augusto Viana Neto analisou nesta segunda-feira (12/01) em entrevista à TMC o cenário imobiliário da capital paulista. Segundo ele, São Paulo vive um momento de forte pressão no mercado, com aluguéis em alta e juros elevados, o que dificulta a compra de imóveis por parte da população.
Por outro lado, Viana Neto destaca que as mudanças no Plano Diretor e na Lei de Zoneamento tiveram efeitos positivos nos últimos anos para o mercado, estimulando novos projetos e reorganizando a cidade. No entanto, fatores, como o crescimento de imóveis para Airbnb, têm reduzido a oferta de imóveis para locação tradicional, pressionando ainda mais os preços.
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“Nas principais capitais do mundo, o Airbnb está sendo proibido, porque realmente ele está trazendo uma pressão muito forte no valor dos alugueis e as pessoas locais ficam sem imóveis para alugar. O setor produtivo não tem capacidade para produzir na medida da necessidade. Por outro lado, nós não temos no Brasil investidores para imóveis, para locação residencial. O investidor brasileiro ele foca mais em galpões, logísticos, imóveis corporativos, mas o residencial, que tem uma legislação muito rígida e desfavorável ao proprietário e uma tributação idêntica ao imóvel comercial”, explicou Neto.
Para quem busca sair do aluguel, o programa Minha Casa Minha Vida surge como uma alternativa viável. A expectativa, porém, é de que os valores dos aluguéis sigam elevados, tornando os programas habitacionais uma das principais esperanças para quem depende da locação em São Paulo.
“Nós estamos navegando no escuro. Quem depende de pagar aluguel vai continuar passando por dificuldades porque não tem nada que possa dizer que em futuro próximo nós vamos ter o problema amenizado. Absolutamente. Então a tendência é de quem paga aluguel é pagar cada vez mais caro e dependendo da questão da taxa Selic, se houver redução na taxa de juro, aí sim consegue-se tirar a pessoa da locação”, finalizou.
